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sexta-feira, 29 de abril de 2011

Bonificação para Professores Garantem a Melhoria no Ensino?

 

O ceticismo e a descrença no Sistema Educacional Brasileiro está fazendo com que muitos estados e municípios adotem uma política de bonificação para professores a fim de melhorar o desempenho destes em sala de aula. Cabe aqui ressaltar que aqueles que adotam tais medidas de incentivo, estão responsabilizando diretamente a categoria profissional pelo péssimo desempenho da Educação Pública no Brasil. Afinal, o professor já recebe seu salário – bom ou ruim – para educar os brasileirinhos. Alguém decidiu, no entanto, que alguns profissionais não se empenham como deveriam na função. Pensaram – se é que pensam – que se os bons profissionais recebessem uma bonificação pelo seu desempenho, incentivariam os outros – os maus – a fazerem o mesmo. Pronto! Todos interessados em aumentar seus parcos rendimentos fariam a educação pública dar um salto em qualidade e a  gestão pública se insentaria de sua responsabilidade. Simples assim! A desestruturação familiar, o sucateamento das escolas, a falta de material, as turmas lotadas, nada disso seria mais empecilho para uma educação de qualidade. O professor sozinho daria conta de elevar os índices educacionais aos patamares do primeiro mundo.

Eu acredito que por trás desta medida encontra-se motivos ainda mais sórdidos. Nenhum gestor público – salvo uns poucos espalhados pelos estados brasileiros - quer dar aumento efetivo à categoria. Com a política de bonificação, onde apenas alguns são beneficiados, o gasto é bem inferior e de quebra os políticos podem usar os salários destes poucos como base para suas campanhas políticas.

O  governo de São Paulo teve que repensar suas propostas educacionais ao ver sua política de bonificação, lançada em 2008, fracassar. O rendimento dos estudantes que já estavam em patamares alarmantes baixou ainda mais. Em 2010 foram gastos R$ 655 milhões com o pagamento do tal bônus. Agora, em 2011, caiu para R$ 340 milhões.  Será que os professores não gostavam do tal incentivo que chegava a três salários extras? Acho bem pouco provável!

Uma equipe de pesquisa conduzida pelo Centro Nacional de Incentivos de Desempenho, ligado ao Peabody College da Universidade de Vanderbilt, nos Estados Unidos, passou a premiar por três anos professores de matemática da rede pública de Nashville, cujos alunos conseguissem melhorar suas notas. Observe que estamos falando de uma pesquisa e não de uma política já adotada baseada em sofismas, como ocorre aqui no Brasil. Bem, o resultado da pesquisa americana mostrou que os estudantes cujos professores recebiam a bonificação não tiveram qualquer melhora na comparação com o “grupo de controle”, cujos professores não recebiam o incentivo. A pesquisa não encontrou muitas diferenças na forma de lecionar ou em medidas de esforço entre os dois grupos de professores. O  coordenador do estudo, professor Matthew Springer, disse em entrevista ao jornal O Globo, que antes de montar uma política de bônus deve-se considerar que  “professores tendem a cooperar mais com um plano de pagamento de incentivos se o propósito for descobrir se a política funciona, do que com uma ideia forçada de cima para baixo, sem evidências para acalmar o ceticismo e a descrença”.

Apesar da divulgação desta pesquisa e da ineficácia do sistema em São Paulo, vemos o governador do Rio, Sérgio Cabral, anunciando aos quatro quantos sua adesão a este projeto. Por que será? A resposta é óbvia: porque ele é político, não está  preocupado com a educação no Estado. Quer apenas encontrar uma maneira de retirar a responsabilidade do gestor público e repassá-la para os profissionais em sala de aula.

Alguém pode me responder o que vai acontecer com os “maus” profissionais, aqueles que não receberem a bonificação? Serão exonerados ou voltarão para a universidade? E as crianças que estiverem sob seus cuidados em sala de aula, serão condenadas a uma educação medíocre? Será que como responsável pela educação do meu filho, tendo garantido pela Constituição Federal o direito a um ensino público de qualidade, poderei exigir que ele estude apenas com professores devidamente “bonificados”?

Bem, talvez este sistema de meritocracia seja derrubado ainda antes de eu ter meus questionamentos respondidos. Mas nem assim eu me animo. Já me acostumei ao fato de que aqui no Brasil se combate projetos inconsistentes, com projetos ineficazes. Aqui um erro sempre é usado na tentativa de se consertar outro!

2 comentários:

Cibele Sidney disse...

Gostaria que lesse um artigo que escrevi ao site de um professor sobre essa palhaçada de SARESP e bônus http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/educacao-na-midia/22338/bonus-muda-em-2013-diz-secretario-de-educacao-de-sp
Muito bom seu artigo, parabéns!

Cibele Sidney disse...

Gostaria que lesse um artigo que escrevi ao site de um professor sobre essa palhaçada de SARESP e bônus http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/educacao-na-midia/22338/bonus-muda-em-2013-diz-secretario-de-educacao-de-sp
Muito bom seu artigo, parabéns!

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