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Este blog não tem grandes pretensões! É apenas o meu espaço para dizer o que penso, sem que ninguém me interrompa antes que eu conclua minhas idéias. ...risos... Seja bem-vindo!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Educar não é responsabilidade só da escola!

Em minha última postagem mostrei meu descontentamento em ver a escola sendo cobrada por uma responsabilidade muito maior  e pela qual não esta preparada. Acabei, quase que como um desabafo, repassando a responsabilidade para a família do educando. Sinceramente, não gosto deste “joguinho de empurra”, pois além de parecer “desculpa esfarrapada” fica feio e antiético. Hoje, mais calma, vou explicar melhor minha indignação. Quando se atribui a ineficiência da escola aos seus profissionais, mesmo que os bons estejam isentados de culpa, não se sentem excluídos. No entanto, percebo que quando repasso parte da culpa para  a família do educando estou da mesma forma ofendendo aquelas famílias que investem no futuro dos seus filhos. Sendo assim, reconheço que estou usando os mesmos “golpes baixos” com os quais me senti atacada. Pensando desta forma, me desculpo com os responsáveis, mas reafirmo minha opinião com relação aos irresponsáveis. Não vou dizer que são a maioria, embora muitas das vezes na minha prática seja esta minha impressão, pois o número deles é considerável e o suficiente para atrapalhar, em muito, um trabalho de qualidade.  Qualquer professor de escola pública entendeu perfeitamente a história do lápis que citei na última postagem.
Hoje, vemos professores sendo cobrados todo o tempo pela falta do preparo do aluno, mas pouco vemos falar sobre a omissão de suas famílias que têm se visto desobrigadas de educar. A escola além de ter que ensinar os conteúdos mínimos obrigatórios ainda precisa passar conceitos e valores, antes responsabilidade da família, o que torna os conteúdos ainda mais mínimos e menos obrigatório. Desde que o professor passou a ser educador – me perdoe o mestre Paulo Freire! – as coisas que eram ruins de um lado, passou a ser pior ainda de ambos os lados. A conta é bem simples e os fatos facilmente comprovados: a criança passa cerca de 4horas na escola e 20 horas em casa. Com a omissão da família esse jovem passa a ter 4 horas de educação por dia e no restante do tempo tem a rua e a televisão como sua principal fonte de informação, educação e entretenimento.  Belas fontes!!! Isto sem contar que a educação recebida na escola entra em choque com a “deseducação” recebida em casa. Das 4 horas que o professor passa com o aluno, em uma turma de 35 alunos, descontando os 15 minutos do recreio, sobra para cada criança 6 minutos e 42 segundos para um atendimento individualizado. Isto se o professor não precisar parar tudo para socorrer aquele que levou uma cadeirada, encontrar o lápis que sumiu do outro, ou atender a qualquer outra ocorrência de praxe no seu cotidiano e que sempre envolve episódios de violência. Com essa educação coletiva e medíocre a que fica restrita nossas crianças percebe-se que dificilmente conseguiremos uma sociedade educada, politizada e preparada!
Somente através da definição do papel da família e o papel da escola, será possivel alcançar níveis de uma educação qualitativa. Enquanto não houver uma tomada de consciência, uma chamada à responsabilidade, um programa de reestruturação familiar,  e até o famigerado  - me perdoem pelo palavrão - controle de natalidade, as pessoas continuarão a exigir da escola responsabilidades muito além de sua capacidade. É importante deixar claro que nunca haverá esforços que consigam fazer da escola uma substituta da família na criação e educação dos nossos jovens. As famílias que abdicaram da função de educar, que se recusam a dividir com a escola esta responsabilidade, continuarão tendo seus filhos – e cada vez mais cedo - para o governo sustentar e a escola criar! E a escola por sua vez continuará sendo responsabilizada por deficiências que estão muito além dos seus bancos.
Educar dá trabalho! E  “não basta dar o peixe tem que ensinar a pescar”. Mas é fato que é muito melhor receber o peixinho fritinho na mão, do que ter o trabalho de ir atrás dele, não é mesmo? Mas isto será a introdução da próxima postagem. Onde finalmente vou concluir este assunto. Até lá!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

SAI O RESULTADO DO IDEB, VAI O PROFESSOR PARA A BERLINDA!

 

Sempre que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira  divulga os resultados do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), inicia-se o debate sobre a qualidade da educação do nosso país visando apontar os possíveis culpados pelos baixos índices revelados. A avaliação foi criada pelo Inep levando em conta dois fatores que interferem na qualidade da educação: rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono) e médias de desempenho. Os resultados deste ano mostram que as médias do País ficaram em 4,6; 4 e 3,6 nos anos iniciais, finais e médio, respectivamente.

Além de medir a qualidade educacional, o IDEB ajuda a identificar os municípios com as piores notas, que então passam a receber prioridade nas ações do MEC (Ministério da Educação). Para se ter uma idéia, o Governo liberou desde 2007  mais de R$ 400 milhões  ajudando 1.822 municípios com notas inferiores a 4,2 e 28 mil escolas com notas até 3,8 no IDEB. Mas ainda assim só um pouquinho mais da metade dos piores municípios no ranking nacional conseguiu superar as respectivas metas melhorando o indicador entre 2007  e  2009. Xiiii!!! E agora? Cabeças vão rolar!

Adivinha que cabeças são estas?  Não precisa ter estudado em escola com IDEB superior a 6 para saber. Afinal, é sempre o mesmo discurso, as mesmas avaliações e os mesmos comentários dos especialistas no assunto. Nem vou entrar no mérito destes “especialistas” , que muitas das vezes, sequer entraram em uma sala de aula, principalmente da rede pública de ensino! As conclusões de tão óbvias chegam a ser cansativas. O Governo não investe o quanto deveria na escola pública, o salário dos professores é vergonhoso, e o que mais me irrita entre todas: a qualificação dos profissionais da educação deixa a desejar. Em outras palavras, culpa dos professores por não serem criativos em sua prática otimizando os recursos, culpa dos professores por terem escolhido uma profissão com salário baixo e depois não cumprir com as exigências do cargo e, finalmente, culpa dos professores que formam estes profissionais despreparados. Afinal quem forma professores são professores, não é? E é enxovalhado de críticas, supostamentes contrutivas, que os professores acabam sendo os maiores responsáveis pelo fracasso do ensino público no país. Coitadinhos! Vítimizados pelas políticas públicas, estamos despreparados, em suma, somos DESQUALIFICADOS!

É bem verdade  que a escola tem um grande compromisso com a sociedade e não está conseguindo honrar este compromisso. A culpa obviamente acaba recaindo nos profissionais que nela trabalham. Mas até que ponto estes compromissos são realmente atribuições da escola? A Educação dos nossos jovens passou a ser responsabilidade única e exclusiva da instituição de ensino. Perdemos um apoio de peso na formação do educando: sua família. Hoje, muitos pais acham que até o lápis que o filho escreve na escola deve ser dado pelo governo.  Partindo deste pressuposto pode-se realmente dizer que os professores não estão preparados. Não conheço nenhum país no mundo onde tamanha responsabilidade seja atribuída a um único profissional. Pior ainda, segundo a OIT ( Organização Internacional do Trabalho) e a Unesco, os professores do Brasil têm um dos piores salários do mundo - Na Coréia, os professores primários ganham seis vezes o que ganha um brasileiro – e  é um dos países com o maior número de alunos por classe, o que prejudica o ensino. Segundo o estudo, existem mais de 29 alunos por professor no Brasil, enquanto na Dinamarca, por exemplo, a relação é de um para dez. Convenhamos que mesmo que seja o maior salário do mundo, ou que tenhamos 10 alunos na classe, ainda assim, somos professores, responsáveis pelo letramento da criança, pela formação acadêmica do jovem, pelo preparo técnico do cidadão para o mundo do trabalho, das artes, da ciência, e não, decididamente não somos responsáveis pela formação ética, social e geral do indivíduo. A família tem que ser chamada a cumprir com suas responsabilidades. Escola, não é orfanato! Professores não são voluntários, não são cuidadores de crianças, não são auxiliares de creche e por fim, educação não é sacerdócio.

Eu amo lecionar! Quero ensinar a pensar, a ler, a escrever e formar cidadãos críticos e conscientes.  Tenho, sem falsa modéstia, total preparo para exercer minha profissão. Sou responsável pela educação destas crianças, mas não sou responsável pela criação delas!

Sou responsável pela criação dos meus filhos. Chego em casa depois de doze horas de trabalho e tenho que olhar o caderno deles, ajudar nos deveres, nos trabalhos, nas benditas pesquisas e finalmente descansar um pouco, para no dia seguinte descobrir, por exemplo, que a simples tarefa dada aos meus 35 alunos, de trazer um encarte de supermercado para a sala de aula, só foi realizada  por 6 deles. A desculpa é simples e objetiva: – minha mãe disse que lá em casa não tem. Será que ninguém na casa deste aluno poderia dar uma passadinha no mercado para pegar? Será que não dava para pedir a um vizinho, ou dar uma vasculhada no lixo?  Tudo bem, sou professora brasileira, já estou acostumada com alunos completamente desasistidos pelos seus familiares, e assim sendo, tratei de arrumar uma quantidade significativa de encartes no mercadinho da região antes de chegar à escola. Mas façam-me um favor: não venham me dizer que o IDEB de 4.1 da minha escola é culpa minha não, tá? Me recuso terminantemente a ir para a Berlinda. Nunca gostei desta brincadeira!

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Já já eu volto!

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Queridos, tenho andado abarrotada de trabalho! Este mês foi a culminância do projeto África, onde realizamos várias oficinas. Tivemos também a festa junina - ou seria julina? – sem contar o conselho de classe, os diários, relatórios… Ufa!!! Realmente não estou tendo tempo para postar aqui. Prometo que na próxima semana voltarei com as novidades, fotos, diário do Geempa e o Ideb… Ah!! Estou ansiosa para falar do Ideb! Bem, é só ter um pouquinho de paciência, tá? Já, já, estarei de volta!

sábado, 3 de julho de 2010

Dunga Canta: – Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou…

Todos sabiam o desfecho desta história: Se a seleção vencesse Dunga seria enaltecido; Se perdesse, escurraçado. Pois bem, perdeu! Coitado vai ter que aguentar um bando de brasileiros enfurecidos. Brasileiros que continuarão a pagar os impostos mais caros do mundo, sem xingar ninguém. Que continuarão a penar na fila dos postos de saúde, sem xingar ninguém, ou no mínimo, xingando a atendente. Que continuarão a ver seus filhos sendo aprovados automaticamente na escola, mesmo sem ter alcançado os objetivos mínimos previstos para o período, sem xingar ninguém, ou talvez xingando a “burra” da professora. Mas deixar de xingar o Técnico da Seleção depois de uma derrota destas,  é demais para qualquer brasileiro! Nosso humilde povo aguenta toda e qualquer espécie de abuso ou crime contra sua dignidade, contando que o técnico da sua seleção faça bonito na Copa do Mundo de Futebol. Afinal, o futebol brasileiro é o único motivo de orgulho para esta nação, que de quatro em quatro anos mostra todo o seu potencial de união, determinação e exigência. Pelo menos aprendemos muitas lições com uma Copa do Mundo! Quem disse que brasileiro não sabe se unir em torno de um objetivo? Sabe sim!  Contando que o objetivo envolva cerveja, batuque e bola. Brasileiro sabe reclamar sim, contando que o que o contrarie envolva estratégias mal formuladas para seu futebol. Em suma, brasileiro sabe se manifestar, mesmo que pelos motivos, aparentemente, de  menor relevância para o crecimento de uma nação. Digo aparantemente, porque no fim das contas temos muito mais para comemorar do que para reclamar. A nação ganha sim com seu futebol, acredite! Até os bandidos param seus afazeres para prestigiar a seleção. Pode ver se as estatísticas não acusaram queda do índice de criminalidade nos 90 min em que os jogadores suavam suas camisas!  Apesar de alguns empresários reclamarem de fechar seus comércios, só têm a comemorar os índices de vendas antes dos jogos e depois deles, é claro. Já os reclamões de setores como a indústria e a construção civil, vão recuperar o tempo perdido colocando seus funcionários para compensar aos sábados.  Segundo os dados da FIRJAN, somente na economia fluminense foram  injetados algo em torno de R$ 800 milhões de reais. Aumentou a renda em tudo: restaurantes, roupas, eletro eletrônicos, lojas de conveniências. A média de consumo diário de energia que é de 60 mil megawatts  MW  caiu para 45 mil MW, em média durante os jogos. Isto que é economia!

Embora saiba que esses ganhos reais não serão suficientes para apaziguar os ânimos e evitar que nosso pobre “ex-técnico” seja xingado, a verdade é que o Brasil ganhou muito mais do que perdeu nesta copa. Só fico com uma dúvida: Se a nação ganha, o seu povo não deveria ganhar também?  Toda essa economia de energia resultará em desconto na conta de luz nos próximos meses? Todos os impostos arrecadados com este expressivo aumento nas vendas, resultará em uma melhor distribuição de renda ou melhora nos serviços públicos? Sabe, no fim das contas é mais fácil mesmo xingar o técnico da seleção brasileira! Dunga bem que podia ter-nos permitido esquecer nossas mazelas por algum tempo a mais. Agora só nos resta voltar à realidade nua e crua de uma nação que se esquece que a maior festa da democracia se aproxima, e esta sim poderia nos garantir momentos de prazer real e permanente: a escalação da equipe que comandará o Brasil nos próximos quatro anos. Mas esta festa os brasileiros ainda não aprenderam a prestigiar. Até porque a maioria dos brasileiros não conhece a vida política dos candidatos o tanto que conhece a vida pública dos jogadores da seleção brasileira. Um exemplo simples do filme que já está cansando de tão repetitivo: “Aqui bem próximo de mim, ganhou para prefeito um determinado político que enquanto vereador votou contra o passe livre para estudantes, dentre várias outras medidas que beneficiavam empresários em detrimento do povo. Agora eu pergunto: Foram os empresários que eram a  minoria dos eleitores, além de muitos deles sequer morar na cidade, que  elegeram este prefeito? Por que algumas pessoas sabiam quem era o cidadão e outras – a maioria – não sabia nada sobre ele? Por fim, de quem é a culpa?”

Mas tudo bem! Quatro anos passa rápido e a próxima Copa do Mundo será no Brasil. Só nos resta saber se em um Brasil melhor, pior ou igual ao desta Copa. Uma coisa é certa, Dunga não será nosso técnico. - Xiiii, voltamos ao futebol!

É ! Pensando bem, só resta aos brasileiros o futebol mesmo! Que pena!

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