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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Projeto "A África é Show de Bola" - Ensino Fundamental

 Professora Valéria Attayde

Projeto “A África é Show de Bola”

“Lutar pela igualdade sempre que as diferenças nos

discriminem; lutar pelas diferenças sempre que a igualdade nos descaracterize.”

Boaventura de Souza Santos


Alunos Atendidos: 1º e 2° segmentos do Ensino Fundamental


Duração: Anual

Introdução:
A escola tem o compromisso de reforçar os valores sociais e morais, mas muitas vezes acaba, mesmo que de forma quase imperceptível, perpetuando e reforçando alguns preconceitos. Um exemplo claro do que falamos pode ser visto na forma como sempre se referiu ao Continente Africano. Suas principais considerações se relacionam com os problemas e sofrimentos desse povo, pouco se falando sobre sua cultura, sua história. Os negros aparecem nos livros didáticos sempre relacionados à escravidão, sofrimento, submissão, miséria. Pobres coitados sem história! Discriminados, maltratados, com uma cultura que se baseia na capoeira, candomblé, atabaques, safaris e roupas coloridas. Como é possível que minimizando tanto a história do segundo maior continente do planeta e o lugar de onde, há milhões de anos, apareceram nossos ancestrais, podemos estar contribuindo para que os afro-descendentes sintam-se valorizados?

Os primeiros centros universitários e culturais de que se tem registro na história da humanidade foram encontrados na África. Os diversos povos que habitavam este continente, muito antes da colonização feita pelos europeus, tinham conhecimentos de astronomia e de medicina que serviram de base para a ciência moderna; Dominavam técnicas de agricultura, mineração, ourivessaria e metalurgia e usavam sistemas matemáticos muito bem elaborados. Para se ter uma idéia, em 1879, o médico inglês R. W. Felkin aprendeu com os banyoro (tribo africana) as técnicas de cesariana, que já envolvia assepsia, anestesia e cauterização do corte, que era feito na vertical. Isto prova que já tinham conhecimento da técnica muito tempo antes. Entre as grandes civilizações da humanidade, que serviram de base para o estudo da História e os grandes avanços tecnológicos, encontramos o Egito que todos sabemos está localizado na África, embora insistam em tratar toda aquela área ao norte do continente como África Branca, numa tentativa preconceituosa de excluir da cultura dominante, os demais países daquele continente. São essas as denúncias que a escola deve se propor a fazer, deixando claro a todos os seus alunos que toda a produção intelectual e tecnológica do mundo teve sua origem no Continente Africano. É importante que a escola se empenhe com urgência em aprofundar seus conhecimentos sobre “O Berço da Intelectualidade”, através de uma reflexão verdadeiramente crítica sobre os valores que vem passando até os dias de hoje. Valores estes, que acaba fomentando a discriminação e a desvalorização de um povo. Povo este, que não apenas dança e sorri apesar de todo o sofrimento, mas que tem uma cultura riquíssima em inúmeros elementos relacionados a todas as áreas do conhecimento...


Justificativa:


A publicação da Lei Nº 10.639 tornou obrigatório o ensino da História da África e dos Afro-brasileiros no Ensino Fundamental e Médio, em todo o país. Porém é de suma importância que essa História não se resuma em escravidão, misérias, epidemias e guerras civis; Ou que em uma tentativa de resgatar a auto-estima dos afro-descendentes, se exalte apenas os aspectos artísticos de sua cultura. Precisamos nos conscientizar que não estamos apenas contando a história de um continente, e sim a história da civilização humana. A história do início da História, com todos os seus aspectos contributivos, não apenas ao povo brasileiro, mas aos conhecimentos do mundo.

Baseado nestas considerações, elaboramos esse projeto no sentido de promover um conhecimento mais aprofundado sobre a importância da contribuição dos africanos para o desenvolvimento não só do nosso país, mas de todos os outros. O importante em nosso projeto é que não priorizaremos o lado exótico da cultura africana, como o batuque a ginga, a capoeira, o vatapá e a feijoada. Não que não trabalharemos com esses elementos. Afinal, são os de maior conhecimento dos nossos alunos. Porém, justamente por já estarmos tão familiarizados com eles, optamos por dar prioridade a outros aspectos do contexto histórico-cultural africano que são desconhecidos pela maioria da comunidade escolar. Queremos promover o verdadeiro resgate da herança africana, cuja história fora esquecida e ignorada ao longo do tempo.

Trabalharemos com uma Linha do Tempo (anexo 1) que otimizará o trabalho, ao destacar o início da civilização humana no continente africano e alguns dos legados dos povos africanos para a humanidade. Também mostraremos os principais impérios, reinos e estados (anexo 2) de onde vieram os negros que foram escravizados no Brasil e as tecnologias que trouxeram. Falaremos ainda sobre a participação dos africanos e de seus descendentes na formação histórico-cultural do Brasil. Por fim, aproveitando a Copa do Mundo de Futebol, que esse ano será realizada na África do Sul, falaremos sobre os animais das savanas africanas e a biodiversidade existente neste país. Afinal, foi justamente essa copa do mundo a responsável pela escolha do título deste projeto!

Em suma, pretendemos conscientizar nossas crianças sobre a importância do negro na formação da sociedade brasileira e de todas as outras sociedades em todo o mundo, analisando sobre a sua contribuição nas áreas: social, econômica, cultural e política.



Objetivos:


• Oportunizar o conhecimento básico em conceitos como história, economia, sociedade e cultura africana;

• Sensibilizar o estudante acerca da importância do continente africano no contexto mundial;

• Contextualizar as diversas influências africanas em nossa sociedade, tais como, na linguagem, vestimenta, alimentação e manifestações artísticas;

• Conscientizar o aluno da existência das práticas cotidianas do racismo;

• Despertar o interesse da criança para a biodiversidade na África do Sul;

• Levar o aluno a perceber a relação entre o homem e o meio ambiente nas savanas africanas;


Ações Estratégicas:


1 Socialização dos trabalhos, divisão de tarefas e equipes;
2 Montagem do cronograma das atividades com a equipe pedagógica dos três turnos, adaptando os conteúdos aos alunos do 1° e 2° segmentos;
3 Organização de diferentes murais em sala de aula, com auxílio de revistas, jornais e fotografias, com os seguintes temas: “Os Seres Humanos são de uma única espécie?”, “O que são práticas racistas?”, “Negros que fizeram história.”, “Influências dos negros na cultura brasileira”;

4 Exibição de vídeos;

5 Palestras;

6 Gincanas e jogos estudantis;

7 Demonstrações coreográficas de Capoeira e danças;

8 Leitura e reescrita de contos africanos;

9 Confecção de linha do tempo destacando o início da civilização humana no continente africano e alguns dos legados dos povos africanos para a humanidade (anexo 1);

10 Elaboração de mural destacando os principais impérios, reinos e estados (anexo 2) de onde vieram os negros que foram escravizados no Brasil e as tecnologias que trouxeram;

11 Organização do Desfile Cívico do município com pelotões que destaquem os diversos temas abordados neste projeto;

12 Valorização da cultura negra e suas influências na nossa cultura nos diferentes aspectos lingüísticos, culinários, religiosos, etc;

13 Exposições permanentes, no pátio da escola, com os trabalhos realizados na sala de aula;

14 Avaliação do projeto;

Atividades Sugeridas:
1. Brincadeiras de origem africana que privilegiam as competições em equipe.
2. Apresentação do filme Kiriku que conta a história de um super-herói negro.
3. Exibição da série Madagascar, seguido de diferentes atividades, a serem elaboradas pelo professor da turma, sobre animais e a biodiversidade da África do Sul;
4. Realizações de debates sobre as informações coletadas nos diferentes vídeos exibidos;
5. Coletar expressões preconceituosas utilizadas no cotidiano, como por exemplo: “Pessoa zangada está com o coração negro”, “Comércio ilegal é chamado de mercado negro”, “Quando as coisas estão difíceis diz-se A coisa tá preta”, “Pessoa boa tem alma branca”, “Quem deve entra na Lista negra”, “Falar mal de alguém é Denegrir sua imagem” e “Magia negra é coisa do mal”, entre muitas outras;

6. Pesquisar algumas palavras de origem africana que fazem parte do nosso vocabulário, para atividade de leitura e escrita;
7. Organização de uma coletânia de lendas e histórias africanas que tratem de diversidade como: Menina Bonita do Laço de Fita, de Ana Maria Machado e Lendas Africanas de Júlio Emílio Braz;
8. Confecção do alfabeto baseado no texto ABC Africano de Rogério Andrade Barbosa;


É imprescindível que todos os assuntos sejam abordados durante todo o ano nas diferentes disciplinas que fazem parte do currículo do aluno. Teremos que abordar alguns dos assuntos de forma simples e objetiva nas séries iniciais, deixando o aprofundamento das questões para as séries mais avançadas. No entanto, como já explicitado, são questões que devem ser trabalhadas já nas primeiras séries de escolaridade.

Culminância:


A culminância do projeto será realizada em 2 etapas, sendo a primeira em julho, com atividades esportivas e exposições dos trabalhos realizados no primeiro semestre, aproveitando a Copa do Mundo de Futebol na África do Sul. A segunda etapa do projeto terá sua culminância em novembro, na Semana da Consciência Negra, com apresentações de peças, músicas, poesias e exposições dos trabalhos realizados durante todo o ano letivo.


Avaliação:


Esta avaliação contínua e progressiva será feita através de:

- Análise do projeto elaborado, para verificar se os objetivos foram alcançados;

- Observação direta e indireta de todas as atividades desenvolvidas;

- Reflexão e conclusão;

- Análise dos dados coletados.


(Anexos)

LINHA DO TEMPO

Cerca de 20000 a.C.
O objeto matemático mais antigo é o bastão de Ishango, osso com registros de dois sistemas de numeração. Ele foi encontrado no Congo em 1950 e é 18 mil anos mais antigo do que a matemática grega
3000 a.C.
O médico negro Imhotep é o verdadeiro pai da medicina: ele viveu 25 séculos antes de Hipócrates e já aplicava no Egito conhecimentos de fisiologia, anatomia e drogas curativas em seus pacientes
2000 a.C.
O povo haya (da região da atual Tanzânia) produzia aço a 400 graus Celsius — temperatura superior a dos fornos europeus do século 19. Uma faca datada de 900 a.C., feita no Egito, é o objeto de ferro mais antigo
1650 a.C.
O papiro de Rhind indica que os egípcios sabiam o valor da constante geométrica pi muito antes de Arquimedes (250 a.C.) e as propriedades do triângulo retângulo antes de Pitágoras (séc. 6 a.C.)
Século XII
Muros de pedra de 10 metros de altura foram erguidos na região do Zimbábue. As ruínas revelam saberes avançados também dos povos subsaarianos em construção civil
1879
O médico inglês R. W. Felkin aprendeu com os banyoro técnicas da cesariana. O procedimento já envolvia assepsia, anestesia e cauterização do corte, que era vertical

Um Histórico das Lutas e Conquistas Recentes:

A ciência dos séculos 18 e 19 considerava que os brancos possuíam maior capacidade intelectual. Depois vinham os índios e, por último, os negros. Alguns estudos afirmavam que os negros se situavam abaixo dos macacos. "Qualquer que seja o grau dos talentos dos negros, ele não é a medida dos seus direitos", Thomas Jefferson (1743-1826), político americano.



1948 - Uma das mais significativas experiências de mobilização negra foi o jornal Quilombo, editado no Rio de Janeiro. A edição nº 0, ano 1, trazia a seguinte afirmação: "Nos dias de hoje a pressão contra a educação do negro afroxou (sic) consideravelmente, mas convenhamos que ainda se acha muito longe do ideal".
1949 - 1º Congresso do Negro Brasileiro. Temas abordados: sobrevivências religiosas e folclóricas; formas de luta (capoeira de Angola, batuque, pernada); línguas (nagô, gegê, língua de Angola e do Congo, as línguas faladas nos anos de escravidão).
Década de 1950 - Iniciam-se os primeiros estudos sobre preconceitos e estereótipos raciais em livros didáticos no Brasil.
Décadas de 1960 e 1970 - Os militares oficializaram a ideologia da democracia racial e a militância que ousou desafiar esse mito foi acusada de imitadora dos ativistas americanos, que lutavam pelos direitos civis. O mito da democracia racial persiste até hoje.
Década de 1980 - Retomada dos estudos sobre preconceitos e estereótipos raciais em livros didáticos. Os resultados das pesquisas apresentam a depreciação de personagens negros, associada a uma valorização dos brancos.
1984 - Em São Paulo, a Comissão de Educação do Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra e o Grupo de Trabalho para Assuntos Afro-Brasileiros promoveu discussões com professores de várias áreas sobre a necessidade de rever o currículo e introduzir conteúdos não discriminatórios.

1985 - A comemoração de 13 de maio foi questionada pela Comissão por meio de cartazes enviados às escolas do estado de São Paulo. O material também exaltava 20 de novembro como data a comemorar a consciência negra.
1986 - A Bahia inseriu a disciplina Introdução aos Estudos Africanos nos cursos de Ensino Fundamental e Médio de algumas escolas estaduais atendendo a antiga reivindicação do movimento negro.

1996 - Entre os critérios de avaliação dos livros didáticos comprados e distribuídos pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) foram incluídos aqueles específicos sobre questões raciais. 1998 - Inclusão da Pluralidade Cultural entre os temas transversais nos Parâmetros Curriculares Nacionais.
2003 - A publicação da Lei no10.639 tornou obrigatório o ensino da História da África e dos Afro-brasileiros no Ensino Fundamental e Médio.


Fonte: estudos e pesquisas de Benilda Regina Paiva de Brito e Fúlvia Rosemberg

14 comentários:

Lucélia Flores disse...

Que legal! O criador do projeto é conhecido seu? Dê-lhe meus parabéns. Bjs...

Professora Maluquinha disse...

O Projeto é de minha própria "autonomia"... risos... Mas com a participação, evidentemente, de inúmeros amigos virtuais que tão eficazmente têm se dedicado à causa.Gongratulações aceitas! Risos...

Rafael disse...

O projeto é mesmo show de bola. Parabéns!!!!!!

Anônimo disse...

Oi, Poxa!!!
Adorei o projeto.
Parabéns!!!

Anônimo disse...

Professora Maluquinha que projetos maravilhosos!!!! Obrigado pela contribuição pedagógica...

Anônimo disse...

gosteib do projecto.
sionajunior@yahoo.com.br

Ana Criostina disse...

Oi meu amor estou com saudades!!!

Professora Ana Karyne Andrade disse...

Gostei muito da atividades e Projetos apresentados.

Anônimo disse...

Querida profa. Maluquinha. Quem nos dera tivessemos mais "maluquinhos" semelhantes a você iluminada, criativa, inteligente e corajosa. Teu prjeto é uma luz para mim. Agradeço pelas contribuições.

Anônimo disse...

Que bom esse projeto vai me ajudar muito. Já que sou professora de uma comunidade quilombola.

Anônimo disse...

Professora maluquinha,amei o projeto!!!Parabéns pelo tema e a forma abordada.Obrigada pela contribuição

Anônimo disse...

Parabéns pelo excelente projeto... vou aproveitar bastante suas ideias.. pois a minha escola fará a feira de ciencias baseado na Africa...

profª Marilene Mesquita disse...

cara professora tive o prazer de consultar se projeto ,que por sinal é excelente e tomarei emprestado algumas sugestões para aplicar em sala de aula ,as atividades sugeridas são simples e muito enriquecedora .parabéns.

Rita de Cassía disse...

Seu blog é muito fofo parabéns amo ele, conheça o meu também:




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