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Este blog não tem grandes pretensões! É apenas o meu espaço para dizer o que penso, sem que ninguém me interrompa antes que eu conclua minhas idéias. ...risos... Seja bem-vindo!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Quícoli Presta Depoimento à Polícia Federal

Polícia Federal

Após sete horas de depoimento à Polícia Federal, Rubnei Quícoli afirma que em momento algum disse que foi pedido dinheiro para campanha da Dilma.

- A única informação que eu coloquei foi que o Marco Antonio ( ex-diretor dos Correios ) me pediu esse valor para poder acertar alguma coisa entre eles lá. Eu nunca disse que esse dinheiro era para PT, para a campanha da Dilma. Isso daí nunca foi relacionado. Essas perguntas muitas vezes relacionadas para favorecer uma parte ou outra não tem cabimento. 

Estas foram as palavras do Srº Quícoli, em entrevista aos jornalistas na saída da Polícia Federal. Pelo visto o srº Quícoli transferiu para o  ex-diretor dos correios Marco Antonio de Oliveira, a responsabilidade pela afirmação de que os R$ 5 milhões serviriam para cobrir despesas de Erenice Guerra e da candidata à Presidência, Dilma Rousseff. Ele também confessou na entrevista, ser filiado ao PSDB, mas ter votado em Lula duas vezes. Decididamente  ele não confia nos candidatos do seu partido! Que rapaz volúvel! Ainda afirmou que nunca conheceu os irmãos Guerra, os filhos de Erenice: - Fiquei surpreso que o papel dele veio à tona agora, pela mídia agora. Não por mim. Eu não sabia quem era Israel, quem era Saulo.

É evidente que a mídia elitista não dará o mesmo destaque aos novos depoimentos, pois  levantaria suspeita ao mais simples e desavisado eleitor. Quem mentiu para quem? O sr° Quícoli mentiu à Veja e à Folha antes, ou está mentindo agora? A Imprensa mentiu para o povo, mentiu para o srº Quícoli, manipulando suas informações, ou não passa de uma pobre vítima nas garras de um homem sem escrúpulos?

Também a quem interessa estas respostas? O importante mesmo é levar estas eleições para o segundo turno a fim de ganhar tempo para novos depoimentos mentirosos e mais informações manipuladoras. Afinal, o José Serra pode até ter desistido de ser presidente, mas a imprensa não desistiu de torná-lo um. Pobre Marina Silva que será usada e descartada tão logo esta imprensa golpista consiga o seu pleito!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Artigo de Jornal Inglês sobre Dilma Rousseff

dila lula

O  jornal inglês “The Independent”, escreveu neste domingo um artigo, originalmente publicado no Brasil pela “CartaMaior”, onde afirma que “o Brasil parece estar pronto para eleger um líder extraordinário”, "a mulher mais poderosa do mundo".

Segue a tradução da matéria:

The former guerrilla set to be the world's most powerful woman

Brazil looks likely to elect an extraordinary leader next weekend

By Hugh O'Shaughnessy

A mulher mais poderosa do mundo começará a andar com as próprias pernas no próximo fim de semana. Forte e vigorosa aos 63 anos, essa ex-líder da resistência a uma ditadura militar (que a torturou) se prepara para conquistar o seu lugar como Presidente do Brasil.

Como chefe de estado, a Presidente Dilma Rousseff irá se tornar mais poderosa que a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel e que a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton: seu país enorme de 200 milhões de pessoas está comemorando seu novo tesouro petrolífero. A taxa de crescimento do Brasil, rivalizando com a China, é algo que a Europa e Washington podem apenas invejar.

Sua ampla vitória prevista para a próxima eleição presidencial será comemorada com encantamento por milhões. Marca a demolição final do “estado de segurança nacional”, um arranjo que os governos conservadores, nos EUA e na Europa uma vez tomaram como seu melhor artifício para limitar a democracia e a reforma. Ele sustenta um status quo corrompido que mantém a imensa maioria na pobreza na América Latina, enquanto favorece seus amigos ricos.

A senhora Rousseff, a filha de um imigrante búlgaro no Brasil e de sua esposa, professora primária, foi beneficiada por ser, de fato, a primeira ministra do imensamente popular Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-líder sindical. Mas com uma história de determinação e sucesso (que inclui ter se curado de um câncer linfático), essa companheira, mãe e avó será mulher por si mesma. As pesquisas mostram que ela construiu uma posição inexpugnável – de mais de 50%, comparado com menos de 30% – sobre o seu rival mais próximo, homem enfadonho de centro, chamado José Serra. Há pouca dúvida de que ela estará instalada no Palácio Presidencial Alvorada de Brasília, em janeiro.

Assim como o Presidente Jose Mujica do Uruguai, vizinho do Brasil, a senhora Rousseff não se constrange com um passado numa guerrilha urbana, que incluiu o combate a generais e um tempo na cadeia como prisioneira política.

Quando menina, na provinciana cidade de Belo Horizonte, ela diz que sonhava respectivamente em se tornar bailarina, bombeira e uma artista de trapézio. As freiras de sua escola levavam suas turmas para as áreas pobres para mostrá-las a grande desigualdade entre a minoria de classe média e a vasta maioria de pobres. Ela lembra que quando um menino pobre de olhos tristes chegou à porta da casa de sua família ela rasgou uma nota de dinheiro pela metade e dividiu com ele, sem saber que metade de uma nota não tinha valor.

Seu pai, Pedro, morreu quando ela tinha 14 anos, mas a essas alturas ele já tinha apresentado a Dilma os romances de Zola e Dostoiévski. Depois disso, ela e seus irmãos tiveram de batalhar duro com sua mãe para alcançar seus objetivos. Aos 16 anos ela estava na POLOP (Política Operária), um grupo organizado por fora do tradicional Partido Comunista Brasileiro que buscava trazer o socialismo para quem pouco sabia a seu respeito.

Os generais tomaram o poder em 1964 e instauraram um reino de terror para defender o que chamaram “segurança nacional”. Ela se juntou aos grupos radicais secretos que não viam nada de errado em pegar em armas para combater um regime militar ilegítimo. Além de agradarem aos ricos e esmagar sindicatos e classes baixas, os generais censuraram a imprensa, proibindo editores de deixarem espaços vazios nos jornais para mostrar onde as notícias tinham sido suprimidas.

A senhora Rousseff terminou na clandestina VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Nos anos 60 e 70, os membros dessas organizações sequestravam diplomatas estrangeiros para resgatar prisioneiros: um embaixador dos EUA foi trocado por uma dúzia de prisioneiros políticos; um embaixador alemão foi trocado por 40 militantes; um representante suíço, trocado por 70. Eles também balearam torturadores especialistas estrangeiros enviados para treinar os esquadrões da morte dos generais. Embora diga que nunca usou armas, ela chegou a ser capturada e torturada pela polícia secreta na equivalente brasileira de Abu Ghraib, o presídio Tiradentes, em São Paulo. Ela recebeu uma sentença de 25 meses por “subversão” e foi libertada depois de três anos. Hoje ela confessa abertamente ter “querido mudar o mundo”.

Em 1973 ela se mudou para o próspero estado do sul, o Rio Grande do Sul, onde seu segundo marido, um advogado, estava terminando de cumprir sua pena como prisioneiro político (seu primeiro casamento com um jovem militante de esquerda, Claudio Galeno, não sobreviveu às tensões de duas pessoas na correria, em cidades diferentes). Ela voltou à universidade, começou a trabalhar para o governo do estado em 1975, e teve uma filha, Paula.

Em 1986 ela foi nomeada secretária de finanças da cidade de Porto Alegre, a capital do estado, onde seus talentos políticos começaram a florescer. Os anos 1990 foram anos de bons ventos para ela. Em 1993 ela foi nomeada secretária de minas e energia do estado, e impulsionou amplamente o aumento da produção de energia, assegurando que o estado enfrentasse o racionamento de energia de que o resto do país padeceu.

Ela tinha mil quilômetros de novas linhas de energia elétrica, novas barragens e estações de energia térmica construídas, enquanto persuadia os cidadãos a desligarem as luzes sempre que pudessem. Sua estrela política começou a brilhar muito. Mas em 1994, depois de 24 anos juntos, ela se separou do Senhor Araújo, aparentemente de maneira amigável. Ao mesmo tempo ela se voltou à vida acadêmica e política, mas sua tentativa de concluir o doutorado em ciências sociais fracassou em 1998.

Em 2000 ela adquiriu seu espaço com Lula e seu Partido dos Trabalhadores, que se volta sucessivamente para a combinação de crescimento econômico com o ataque à pobreza. Os dois se deram bem imediatamente e ela se tornou sua primeira ministra de energia em 2003. Dois anos depois ele a tornou chefe da casa civil e desde então passou a apostar nela para a sua sucessão. Ela estava ao lado de Lula quando o Brasil encontrou uma vasta camada de petróleo, ajudando o líder que muitos da mídia européia e estadunidense denunciaram uma década atrás como um militante da extrema esquerda a retirar 24 milhões de brasileiros da pobreza. Lula estava com ela em abril do ano passado quando foi diagnosticada com um câncer linfático, uma condição declarada sob controle há um ano. Denúncias recentes de irregularidades financeiras entre membros de sua equipe quando estava no governo não parecem ter abalado a popularidade da candidata.

A Senhora Rousseff provavelmente convidará o Presidente Mujica do Uruguai para sua posse no Ano Novo. O Presidente Evo Morales, da Bolívia, o Presidente Hugo Chávez, da Venezuela e o Presidente Lugo, do Paraguai – outros líderes bem sucedidos da América do Sul que, como ela, têm sofrido ataques de campanhas impiedosas de degradação na mídia ocidental – certamente também estarão lá. Será uma celebração da decência política – e do feminismo.

Tradução: Katarina Peixoto

 

sábado, 25 de setembro de 2010

“Pela mais ampla liberdade de expressão”

imprensa

do blog do Altamiro Borges

Reproduzo documento do Centro de Estudos Barão de Itararé, lido durante o ato que lotou o auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na noite desta quinta-feira, 23 de setembro:

O ato “contra o golpismo midiático e em defesa da democracia”, proposto e organizado pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, adquiriu uma dimensão inesperada. Alguns veículos da chamada grande imprensa atacaram esta iniciativa de maneira caluniosa e agressiva. Afirmaram que o protesto é “chapa branca”, promovido pelos “partidos governistas” e por centrais sindicais e movimentos sociais “financiados pelo governo Lula”. De maneira torpe e desonesta, estamparam em suas manchetes que o ato é “contra a imprensa”.

Diante destas distorções, que mais uma vez mancham a história da imprensa brasileira, é preciso muita calma e serenidade. Não vamos fazer o jogo daqueles que querem tumultuar as eleições e deslegitimar o voto popular, que querem usar imagens da mídia na campanha de um determinado candidato. Esta eleição define o futuro do país e deveria ser pautada pelo debate dos grandes temas nacionais, pela busca de soluções para os graves problemas sociais. Este não é momento de baixarias e extremismos. Para evitar manipulações, alguns esclarecimentos são necessários:

1. A proposta de fazer o ato no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo teve uma razão simbólica. Neste auditório que homenageia o jornalista Vladimir Herzog, que lutou contra a censura e foi assassinado pela ditadura militar, estão muitos que sempre lutaram pela verdadeira liberdade de expressão, enquanto alguns veículos da “grande imprensa” clamaram pelo golpe, apoiaram a ditadura – que torturou, matou, perseguiu e censurou jornalistas e patriotas – e criaram impérios durante o regime militar. Os inimigos da democracia não estão no auditório Vladimir Herzog. Aqui cabe um elogio e um agradecimento à diretoria do sindicato, que procura manter este local como um espaço democrático, dos que lutam pela verdadeira liberdade de expressão no Brasil.

2. O ato, como já foi dito e repetido – mas, infelizmente, não foi registrado por certos veículos e colunistas –, foi proposto e organizado pelo Centro de Estudos Barão de Itararé, entidade criada em maio passado, que reúne na sua direção, ampla e plural, jornalistas, blogueiros, acadêmicos, veículos progressistas e movimentos sociais que lutam pela democratização da comunicação. Antes mesmo do presidente Lula, no seu legítimo direito, criticar a imprensa “partidarizada” nos comícios de Juiz de Fora e Campinas, o protesto contra o golpismo midiático já estava marcado. Afirmar o contrário, insinuando que o ato foi “orquestrado”, é puro engodo. Tentar atacar um protesto dos que discordam da cobertura da imprensa é tentar, isto sim, censurar e negar o direito à livre manifestação, o que fere a própria Constituição. É um gesto autoritário dos que gostam de criticar, mas não aceitam críticas – que se acham acima do Estado de Direito.

3. Esta visão autoritária, contrária aos próprios princípios liberais, fica explícita quando se tenta desqualificar a participação no ato das centrais sindicais e dos movimentos sociais, acusando-os de serem “ligados ao governo”. Ou será que alguns estão com saudades dos tempos da ditadura, quando os lutadores sociais eram perseguidos e proibidos de se manifestar? O movimento social brasileiro tem elevado sua consciência sobre o papel estratégico da mídia. Ele é vítima constante de ataques, que visam criminalizar e satanizar suas lutas. Greves, passeatas, ocupações de terra e outras formas democráticas de pressão são tratadas como “caso de polícia”, relembrando a Velha República. Nada mais justo que critique os setores golpistas e antipopulares da velha mídia. Ou será que alguns veículos e até candidatos, que repetem o surrado bordão da “república sindical”, querem o retorno da chamada “ditabranda”, com censura, mortos e desaparecidos? O movimento social sabe que a democracia é vital para o avanço de suas lutas e para conquista de seus direitos. Por isso, está aqui! Ele não se intimida mais diante do terrorismo midiático.

4. Por último, é um absurdo total afirmar que este ato é “contra a imprensa” e visa “silenciar” as denúncias de irregularidades nos governos. Só os ingênuos acreditam nestas mentiras. Muitos de nós somos jornalistas e sempre lutamos contra qualquer tipo de censura (do Estado ou dos donos da mídia), sempre defendemos uma imprensa livre (inclusive da truculência de certos chefes de redação). Quem defende golpes e ditaduras, até em tempos recentes, são alguns empresários retrógrados do setor. Quem demite, persegue e censura jornalistas são os mesmos que agora se dizem defensores da “liberdade de imprensa”. Somos contra qualquer tipo de corrupção, que onera os cidadãos, e exigimos apuração rigorosa e punição exemplar dos corruptos e dos corruptores. Mas não somos ingênuos para aceitar um falso moralismo, típico udenismo, que é unilateral no denuncismo, que trata os “amigos da mídia” como santos, que descontextualiza denúncias, que destrói reputações, que desrespeita a própria Constituição, ao insistir na “presunção da culpa”. Não é só o filho da ex-ministra Erenice Guerra que está sob suspeição; outros filhos e filhas, como provou a revista CartaCapital, também mereceriam uma apuração rigorosa e uma cobertura isenta da mídia.

5. Neste ato, não queremos apenas desmascarar o golpismo midiático, o jogo sujo e pesado de um setor da imprensa brasileira. Queremos também contribuir na luta em defesa da democracia. Esta passa, mais do que nunca, pela democratização dos meios de comunicação. Não dá mais para aceitar uma mídia altamente concentrada e perigosamente manipuladora. Ela coloca em risco a própria a democracia. Vários países, inclusive os EUA, adotam medidas para o setor. Não propomos um “controle da mídia”, termo que já foi estigmatizado pelos impérios midiáticos, mas sim que a sociedade possa participar democraticamente na construção de uma comunicação mais democrática e pluralista. Neste sentido, este ato propõe algumas ações concretas:

– Desencadear de imediato uma campanha de solidariedade à revista CartaCapital, que está sendo alvo de investida recente de intimidação. É preciso fortalecer os veículos alternativos no país, que sofrem de inúmeras dificuldades para expressar suas idéias, enquanto os monopólios midiáticos abocanham quase todo o recurso publicitário. Como forma de solidariedade, sugerimos que todos assinemos publicações comprometidas com a democracia e os movimentos sociais, como a Carta Capital, Revista Fórum, Caros Amigos, Retrato do Brasil, Revista do Brasil, jornal Brasil de Fato, jornal Hora do Povo, entre outros; sugerimos também que os movimentos sociais divulguem em seus veículos campanhas massivas de assinaturas destas publicações impressas;

– Solicitar, através de pedidos individuais e coletivos, que a vice-procuradora regional eleitoral, Dra. Sandra Cureau, peça a abertura dos contratos e contas de publicidade de outras empresas de comunicação – Editora Abril, Grupo Folha, Estadão e Organizações Globo –, a exemplo do que fez recentemente com a revista CartaCapital. É urgente uma operação “ficha limpa” na mídia brasileira. Sempre tão preocupadas com o erário público, estas empresas monopolistas não farão qualquer objeção a um pedido da Dra. Sandra Cureau.

– Deflagrar uma campanha nacional em apoio à banda larga, que vise universalizar este direito e melhorar o PNBL recentemente apresentado pelo governo federal. A internet de alta velocidade é um instrumento poderoso de democratização da comunicação, de estimulo à maior diversidade e pluralidade informativas. Ela expressa a verdadeira luta pela “liberdade de expressão” nos dias atuais. Há forte resistência à banda larga para todos, por motivos políticos e econômicos óbvios. Só a pressão social, planejada e intensa, poderá garantir a universalização deste direito humano.

– Apoiar a proposta do jurista Fábio Konder Comparato, encampada pelas entidades do setor e as centrais sindicais, do ingresso de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) por omissão do parlamento na regulamentação dos artigos da Constituição que versam sobre comunicação. Esta é uma justa forma de pressão para exigir que preceitos constitucionais, como o que proíbe o monopólio no setor ou o que estimula a produção independente e regional, deixem de ser letra morta e sejam colocados em prática. Este é um dos caminhos para democratizar a comunicação.

– Redigir um documento, assinado por jornalistas, blogueiros e entidades da sociedade civil, que ajude a esclarecer o que está em jogo nas eleições brasileiras e o papel que a chamada grande imprensa tem jogado neste processo decisivo para o país. Ele deverá ser amplamente divulgado em nossos veículos e será encaminhado à imprensa internacional.

 

Fortaleça a imprensa independente do Brasil e a Livre Expressão ao disseminar este artigo para sua rede de relacionamento. Imprima ou envie por e-mail.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Desabafo de uma Professora!

salriodigno

Um sinal de trânsito muda de estado em média a cada 30 segundos (30 segundos no vermelho e trinta no verde ). Então, a cada minuto um mendigo tem 30 segundos para faturar pelo menos R$ 0,10, o que numa hora dará 60 x 0,10 = R$ 6,00. Se ele “ trabalhar “ 8 horas por dia, 25 dias por mês, num mês terá faturado 25 x 8 x 6 = R$ 1.200,00!!!!!!!!!!!!

Muitos professores em nosso país, trabalhando em uma média de 21 dias no mês, não recebe o equivalente ao pedinte do sinal. Isto é vergonhoso! Como podemos pedir aos nossos alunos que estudem,  se muitas das vezes seu pai, que nunca sentou em um banco escolar, recebe mais que seu professor? Isto é uma humilhação!

Está na hora de enviarmos uma cartinha para os nossos governantes com o seguinte título: Desabafo de um professor. Dia 15 de outubro seria uma excelente data para manifestarmos toda nossa indignação. Imaginem milhões de desabafos enchendo as caixas de sugestões da Presidência da República, do Governo do Estado e Prefeitura da sua cidade, em um único dia! 

“A União do Rebanho Faz o Leão Dormir com Fome".

Provérbio Africano

Eis a o Desabafo da Professora Tânia, na íntegra:

Senhor Presidente,

Venho por meio desta, tentar sensibilizá-lo através de uma caminhada na vida de um personagem que um dia tenho a certeza que já foi importante na vida de quase todas as pessoas, assim espero.

Presidente, como o senhor se sentiu ao receber um certificado do segundo grau? Lembro-me que o vi muito emocionado e confesso que eu senti que estava dentro daquele certificado junto aos demais colegas. A emoção apertou meu coração e vi o quanto eu tinha, pela primeira vez, sido importante para alguém. Pena que  foi muito rápido e logo caiu no esquecimento. Mas digo que o senhor é como aquele garotinho que no início vem chorando para os meus braços, com seus dedinhos duros e eu começo a trabalhar com eles e lhes amacio, lhe ajudo a refletir, a buscar o seu caminho, dando-lhe diretrizes e bases para descobrir a sua dedicação profissional. Então esse mesmo garotinho cresce se torna um grande profissional na área que mais se identificou, como por exemplo: um juiz, um auditor, um Presidente e esquece aquela professorinha que tanto lhe amou. Amar, sim. Infelizmente ou felizmente, aqueles que ainda não abandonaram o magistério amam com todo afinco a profissão e é por todos nós que estou aqui chorando os meus 23 anos de magistério. Só Deus sabe de onde encontrei esta coragem para lhe escrever e nem mesmo sei se o senhor irá lê-la. Enfim, gostaria de perguntar se o senhor acha justo um juiz, dentre outras profissões ganharem mais de R$10.000,00 e eu me aposentar com menos de R$1.500,00, sem direito a fundo de garantia, pagando impostos, sem um plano de saúde da minha escolha, uma casa própria, um carro popular, sem implantes nos dentes, um plano odontológico, sem fazer uma plástica? Será que dos anos 30 pra cá descemos tanto o patamar que a expressão “evoluir” caiu? Se hoje o senhor decidir me receber no Planalto para ouvir meu desabafo pessoalmente, eu agradeceria o convite, mas seria obrigada a recusar. A razão simples e cruel de minha recusa, é que não teria como pagar a passagem e nem teria dinheiro para me vestir a altura, infelizmente. 

Mas tudo bem! Se alguém se dignar a ler este meu desabafo, já me dou por satisfeita! Lembre-se Srº Presidente: Investir no Professor é a maneira mais fácil de economizar nas despesas de um país!

Um abraço da professora Tânia, da Escola Municipal Presidente Castelo Branco, em Mesquita, Rio de Janeiro.

 

domingo, 19 de setembro de 2010

A Imprensa Golpista está com os dias contados!

 

Folhaquatro

A corrupção no Brasil é generalizada, isto é fato. Mas o pior é saber que nossa imprensa está diretamente ligada a toda esta corrupção. As informações e  denúncias variam de acordo com os interesses deste, ou daquele meio de comunicação. Pouco se importam com a informação em si, mas em determinar quem estará à frente no “jogo do poder” e o quanto pode ser beneficiado neste jogo político o grupo social defendido por estes meios. Temos políticos assíduos na grande mídia por seus atos ilícitos, independente dos seus feitos para o bem estar da população; outros, tão corruptos quanto, sendo valorizados independentemente das suas falcatruas. É claro que precisamos saber quem é o político em quem pretendemos votar, mas isto tem que ser feito com veracidade de informações e sem poupar ninguém. Por exemplo: fomos bombardeados com informações sobre a quebra de sigilo fiscal da filha do Serra, mas em momento algum, se falou sobre “a quebra do sigilo bancário de estimados 60 milhões de correntistas brasileiros graças a um acordo obscuro fechado, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, entre a Decidir.com, das sócias Verônica Serra (filha de José Serra, candidato do PSDB à Presidência da República) e Verônica Dantas (irmã de Daniel Dantas, banqueiro condenado por subornar um delegado federal) e o Banco do Brasil.”  (Revista NovaE)

Pior não é o apoio incondicional a este ou aquele partido e sim tentar ludibriar o povo brasileiro mostrando-se imparcial, apartidário e defensor dos interesses da nação. Isto sim é nojento! Se o interesse do povo é eleger um determinado político, por estar sendo beneficiado por seu governo, não me parece nada democrático, e muito menos ético,  ignorar sua vontade, tentando influenciar sua opinião faltando com a verdade; utilizando, inclusive, do mesmo artifício, só que de forma contrária, quando se trata de abafar os “podres” dos candidatos que apoia.

Esta semana uma nova denúncia: um suposto empresário, sócio de uma empresa, a EDRB, teria pleiteado um financiamento de mais de R$ 9 bilhões no BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para implantar um parque eólico, mas teve seu pedido rejeitado pelo fato do tal empresário não ter concordado em pagar R$ 5 milhões em propinas ao filho da Ministra-Chefe da Casa Civil.  "Não aceitamos pagar nada. Temos investidores, empresas que querem construir, gerar alguma coisa, e não criar vagabundos dessa forma", disse à Folha Rubnei Quícoli.

Abaixo a última lauda da sentença condenatória de Rubnei Quicoli proferida pela juíza da 3ª Vara Criminal de Campinas e publicada na Revista NovaE:

rubnei_sentenca O BNDES informou que o tal financiamento não tinha NENHUMA condição de ser aceito, pois a empresa não tinha porte para obter o financiamento e sequer tinha definido o local do projeto. Logo, não tinha como apresentar o laudo do Ibama – condição necessária para a aprovação de qualquer projeto dessa natureza. O projeto foi rejeitado liminarmente em reunião do qual participam todos os superintendentes do banco. Nem com ordem direta do presidente da República seria possível a aprovação do projeto. Ou seja, mesmo que ele pagasse 10 milhões de propina ao filho de Erenice, o empréstimo não seria concedido.

Mas o fato é que os sócios da empresa, os superintendentes do banco, o filho de Erenice e a própria ministra chefe da Casa Civil, estão mentindo. A única pessoa verdadeira nesta história é o Sr. Rubnei, que bem poderia ter levado uma canetinha espiã e nos poupado o trabalho de exigir provas. Até porque contratos, email, papéis em geral, podem suscitar dúvidas por serem passíveis de falsificações, já imagens são inquestionáveis, nestes casos. Custava gravar a conversa? Olha o trabalhão que a imprensa vai ter na tentativa de reverter o quadro das pesquisas até o dia 3 de outubro!

Uma imprensa que se presta a publicar uma matéria de primeira página, baseada no email de um cidadão com a reputação para lá de duvidosa, com o único propósito de veincular a matéria à candidata a presidente que tem o apoio da maioria do povo brasileiro, na tentativa desesperada de levar as eleições presidenciais para o 2º turno e ganhar tempo para procurar mais escândalos e ajudar ao seu candidato, merece respeito e credibilidade? E mesmo que tudo isto seja verdade, será a primeira vez que filhos de políticos usam a máquina pública para se beneficiar? Quantos outros, até mesmo com provas concretas e bons antecedentes, já não procuraram as redações destes jornais e revistas sem nunca terem suas denúncias apuradas, pelo simples fato de os políticos e partidos acusados serem apoiados por estas mídias? Por que tanto empenho em envolver a Candidata à Presidência da República na história? Por que não vemos o mesmo empenho em envolver o outro candidato nas falcatruas, não da filha de seu sucessor, mas de sua própria filha?

O que irrita não é a denúncia, mas o porquê da denúncia!

Na primeira página do O Globo on line, tem uma enquete onde a pergunta é: A demissão de Erenice e a crise na Casa Civil pode levar as eleições ao segundo turno? Sim ou Não? Nesta mesma página você se depara com um “promessômetro”, onde você vota nas promessas de campanha dos candidatos. Pasmem! Um quadro bem chamativo trás as seguintes informações: Dilma e Marina empatadas com 62% de aprovação e 38% de reprovação e Serra vencendo com 66% de aprovação e 34% de reprovação. Só esqueceram de colocar um quadro mostrando que Serra perde nas pesquisas até mesmo em São Paulo, onde o PSDB governa por longos anos, o que prova que ele não é lá muito confiável em suas promessas, não é?

Estou muito longe de defender o PT e o seu bando de corruptos, e mais longe ainda de defender o PSDB e sua outra parcela de canalhas. O que quero mesmo é defender o meu direito a uma informação de qualidade e verdadeira. Eu já nem sei mais a hora que começa a propaganda eleitoral na televisão. Me parece que começa  no Jornal Nacional! Até acho que emissoras de televisão, jornais e revistas podem apoiar candidaturas. Nos Estados Unidos é assim. A diferença é que lá são obrigados a deixar isto bem claro para seu público. Isto é tranparência! Aqui tentam nos ludibriar, fingindo serem imparciais, justos e democráticos.

Outro bom exemplo diz respeito às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) que estão posicionadas estratégicamentes nos morros no entorno das áreas nobres do Rio de Janeiro. Eu não vejo uma matéria perguntando para onde estão indo estes traficantes, já que não há prisões. Pois bem, todos sabemos que os traficantes estão recuando para outros morros em áreas menos privilegiadas da cidade, como subúrbios, Baixada Fluminense e Interior do Estado. É certo que em 4 anos não será possível pacificar todos estes locais.  Mas e daí? Não é esta classe que a velha mídia se propõe a defender. Outro caso recente foi quando os professores do estado fizeram uma greve devido a seus salários de R$ 660,00 sendo retirados a pancadas, por ordem do Governador, da rua em frente à Assembléia Legislativa e a Grande Mídia ignorou o fato. No entanto, na mesma época, fez questão de nos massacrar com informações sobre o vazamento das provas do ENEM, em uma tentativa desesperada de sabotar o exame que garante aos estudantes da escola pública a chance de ingressar em uma faculdade pública. A questão é que problemas envolvendo partidos e políticos apoiados pela mídia serão sempre minimizados. Se é que serão explorados algum dia! Já quando se trata de fazer oposição são implacáveis! Não é por outra razão que na blogosfera viraram um partido independente: O PIG( Partido da Imprensa Golpista).

Durante anos os governos apoiados pela mídia roubaram, exploraram e ignoraram as menorias. Isto deixa bem claro de que lado a velha mídia está. Por esta razão posso até ter dúvidas quanto a votar na Dilma, mas tenho absoluta certeza de que jamais votaria em qualquer candidato, mesmo simpatizando com ele, que fosse apoiado por esta Imprensa Golpista. É certo que se está sendo apoiado pela grande mídia, é porque está a serviço deles. E como me parece que o lado dela é sempre contrário ao da grande maioria do povo brasileiro, é certo que está do lado contrário ao meu!

A boa notícia é que parece que o grupo dos que pensam como eu, está cada vez maior. Isto se dá  porque contra fatos não há argumentos. Argumentos forjados, então! Viva a educação!

sábado, 18 de setembro de 2010

Além do Cidadão Kane

Kane31.jpg

"Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista."
Paulo Henrique Amorim.
Além do Cidadão Kane , um documentário produzido pela BBC de Londres e proibido no Brasil desde a estréia, em 1993, por decisão judicial, deixa claro o perigo que é para uma democracia as relações sombrias entre uma  Rede de Televisão e o cenário político de um país.  Durante anos fomos manipulados através da criação de mitos questionáveis  e doses homeopáticas de alienação humana. Quem criou os verdadeiros analfabetos políticos não foi a escola, foi nossa imprensa, que sempre defendeu os interesses de uma elite dominante, pois desta forma, evidentemente, defendia seus próprios interesses. A escola, no entanto, contribuiu muito para este cenário, quer seja pela omissão, ou por também fazer uso deste “remedinho”, que chega ao nosso cerébro diariamente em diferentes horários do dia, e que por ser “homeopático” acredita-se não ter contra indicações. A proibição desse documentário só reforça a idéia de que a liberdade de imprensa aqui significa total liberdade de manipulação de informações a serviço de uma hegemonia que subtrai a liberdade de opinião e o direito à informação do telespectador, ou leitor, no caso das publicações impressas. Os cortes e manipulações efetuados na edição do último debate entre Luiz Inácio da Silva e Fernando Collor de Mello, que influenciaram a eleição de 1989 e o apoio a ditadura militar com censura a artistas, como Chico Buarque, que por anos foi proibido de ter seu nome divulgado na emissora de que trata o documentário, deixa claro nossa vulnerabilidade diante da poderosa mídia brasileira. Depoimentos de Leonel Brizola, Chico Buarque, Washington Olivetto, entre outros jornalistas, historiadores e estudiosos da sociedade brasileira, fazem deste documentário exibição obrigatória em nossas escolas. 
Como se pode falar em democracia, ou mesmo em liberdade de imprensa, se fui proibida de assistir a um documentário esclarecedor e questionador como este por quase 18 anos?
A boa notícia é que com a chegada da internet estes abusos estão com os dias contados. O acesso a este vídeo é um exemplo disso. Outra excelente notícia é que esta velha mídia, ao que parece, esta encerrando seu ciclo tão corrupto quanto os corruptos que denuncia, ou aqueles que defende ao negar-se a denunciá-los. A matéria de Luis Nassif, publicada na NovaE nos enche de esperança de finalmente conseguirmos construir um país verdadeiramente democrático, onde o povo seja absoluto em suas decisões, sem o risco de ver sabotados seus interesses e necessidades em favor de uma hegemonia que durante anos provou ser ambiciosa, arrogante, racista e excludente.
Segue um trecho da matéria de Luis Nassif:
“…Os episódios dos últimos dias me lembram a lavagem das escadarias do Senhor do Bonfim. Dejetos, lixo, figuras soturnas, almas penadas, todos sendo varridos pela água abundante e revitalizadora da marcha da história.
Dia após dia, mês após mês, quem tem sensibilidade analítica percebia movimentos tectônicos irresistíveis da história.
Primeiro, o desabrochar de uma nova sociedade de consumo de massas, a ascensão dos novos brasileiros ao mercado de consumo e ao mercado político, o Bolsa Família com seu cartão eletrônico, libertando os eleitores dos currais controlados por coronéis regionais.
Depois, a construção gradativa de uma nova sociedade civil, organizando-se em torno de conselhos municipais, estaduais, ONGs, pontos de cultura, associações, sindicatos, conselhos de secretários, pela periferia e pela Internet, sepultando o velho modelo autárquico de governar sem conversar.
Mesmo debaixo do tiroteio cerrado, a nova opinião pública florescia através da blogosfera.
Foi de extremo simbolismo o episódio com o deputado do interior do Rio Grande do Sul, integrante do baixo clero, que resolveu enfrentar a poderosa Rede Globo.
Durante dias, jornalistas vociferantes investiram contra UM deputado inexpressivo, para puni-lo pelo atrevimento de enfrentar os deuses do Olimpo. Matérias no Jornal Nacional, reportagens em O Globo, ataques pela CBN, parecia o exército dos Estados Unidos se valendo das mais poderosas armas de destruição contra um pequeno povoado perdido.
E o gauchão, dando de ombros: meus eleitores não ligam para essa imprensa. Nem me lembro do seu nome. Mas seu desprezo pela força da velha mídia, sem nenhuma presunção de heroísmo, de fazer história, ainda será reconhecido como o momento mais simbólico dessa nova era.
A Rede Record ganhou musculatura, a Bandeirantes nunca teve alinhamento automático com a Globo, a ex-Manchete parece querer erguer-se da irrelevância.
De jornal nacional, com tiragem e influência distribuídas por todos os estados, a Folha foi se tornando mais e mais um jornal paulista, assim como o Estadão. A influência da velha mídia se viu reduzida à rede Globo e à CBN. A Abril se debate, faz das tripas coração para esconder a queda de tiragem da Veja.
A blogosfera foi se organizando de maneira espontânea, para enfrentar a barreira de desinformação, fazendo o contraponto à velha mídia não apenas entre leitores bem informados como também junto à imprensa fora do eixo Rio-São Paulo. O fim do controle das verbas publicitárias pela grande mídia, gradativamente passou a revitalizar a mídia do interior. Em temas nacionais, deixou de existir seu alinhamento automático com a velha mídia.
Em breve, mudanças na Lei Geral das Comunicações abrirão espaço para novos grupos entrarem, impondo finalmente a modernização e o arejamento ao derradeiro setor anacrônico de um país que clama pela modernização…”
barrinhas01
Finalmente um país livre! Será?

domingo, 5 de setembro de 2010

“Veja” o anti-jornalismo a favor do capitalismo!

veja04

Abri minha caixa de email hoje, e lá estava novamente a Editora Abril,  na tentativa de me empurrar uma assinatura da Veja, me oferecendo 6 exemplares da revista  de graça .  Eu até sou assinante da Nova Escola e  já fui assinante da Veja. Hoje, confesso, não tenho a menor vontade de receber a publicação, nem de graça. A edição de 16 de agosto de 2006 da revista Veja, marcou de vez meu rompimento com esta publicação preconceituosa,  mentirosa e a favor da manutenção de uma sociedade capitalista, excludente e anti-democrática. Na ocasião, uma jovem negra estampava a capa, segurando um título de eleitor na mão, com a seguinte manchete: “Ela pode decidir a eleição”. Quem era ela? Uma nordestina de 27 anos de idade chamada Gilmara Cerqueira. Tinha o ensino médio completo e vivia com um salário mínimo mensal.

Graças às “ Gilmaras Cerqueiras” do Brasil, os pobres leitores da Veja, pertencentes às classes A e B, politizados e esclarecidos, teriam que amargar mais um mandato do “sapo barbudo” ( forma carinhosa a que se referem ao presidente do país), eleito pela grande maioria dos negros, pobres e analfabetos, pertecentes às classes C, D  e E.  Uma coisa ninguém pode negar, a Veja trabalhou duro na tentativa de evitar esta reeleição. Pior, comparando Lula a Collor, articulava o seu impeachment. Investiram pesado, principalmente em dossiês, se é que se pode chamar assim relatórios que não trazem nenhum respaldo legal, ou comprovação de veracidade. Só não conseguiram porque, para a infelicidade desta versão do Pasquim so século XXI, o seu  número de leitores não é maior que o número de eleitores do Sr. Luís Inácio Lula da Silva.

O que de tão absurdo, nunca antes visto na história deste país,  quer fazer-nos enxergar esta publicação “imparcial e comprometida com a verdade, a ética e o respeito ao brasileiro”? A primeira edição após a reeleição de Lula, publicada em 8 de novembro de 2006, nos responde a pergunta: “o gênio humano não concebeu nada mais eficiente do que o velho e bom capitalismo, com seus mercados livres, empreendedores ambiciosos e empresas inovadoras”. Agora sim se percebe claramente a favor de quem trabalha a publicação!  Se todo negro, nordestino e  pobre deste país decidir terminar os estudos, com ou sem o apoio do Bolsa Família, investirem no Enem e concluírem uma faculdade, quem serão os funcionários das classes A e B? Como se sustentará os “empreendedores ambiciosos” e as “empresas inovadoras” sem a mão de obra barata, que só o capitalismo é capaz de produzir? É realmente preocupante!

O que a tendenciosa publicação não esperava e portanto não se conforma, é que o tal presidente sem estudo, despreparado, boçal, metido a inserir-se no cenário mundial sem ter sido convidado, seria aprovado por 96% da população, com ou sem mensalão, com ou sem ANAC, com ou sem dinheiro na cueca, com ou sem PT. O fenômeno Lula ocorre porque quem vota em partido é uma parcela ínfima da população. Para a grande maioria o que importa não é o partido, mas sim o político do partido. Assistindo a um jornal dia desses, vi Lula desembarcando em um aeroporto em um país da europa (não me lembro a emissora e nem o lugar onde desembarcava o presidente), quando duas jovens alemãs saíram correndo para abraçar e tirar uma foto com o presidente. A que se atribui esta popularidade internacional? O PT não inventou a corrupção, não inventou o caixa dois e, principalmente,  não inventou Lula.  É isto que pensa estes 96% que aprovam o governo. E não adianta apelar, pois no Brasil não tem 96% de negros, nordestinos, pobres, que vivem de Bolsa Família e não entendem de política. Talvez seja este justamente o fato que tenha irritado tanto a grande mídia; e que tenha feito a Veja descer tão baixo para defender  os interesses dos seus patrões.

A situação é tão escandalosa que o  jornalista Fábio Jammal Makhoul decidiu debruçar-se sobre a revista Veja para formular sua tese de mestrado em Ciência Política para a PUC de São Paulo. A  revista NovaE preparou o Dossiê Veja –  já que Veja adora dossiês, agora tem um todinho dela – que prima pelo jornalismo ético, com informações devidamente comprovadas, onde encontramos uma entrevista com Fábio Jammal e as principais considerações da sua tese. Vale a pena conferir!

Quanto a mim, vou continuar lendo meus emails, certa de que neste exato momento muitos “escândalos armados” estão sendo tramados na tentativa de pelo menos levar esta eleição para o 2º turno. Não vai demorar para aparecer um João das Couves, ou um Zé Mané, que ninguém conhece, ninguém sabe de onde veio, ou para onde vai depois,  com informações bombásticas contra a Sra. Dilma Rousseff.  Não vou nem estranhar se o pobre cidadão disser que a família dele foi dizimada pela ‘terrorista”. Bem disse Lula: “eleições não se ganha nas pesquisas, se ganha depois que a última urna é aberta e o último voto é contabilizado”. Conhecendo a grande mídia é fácil entender o porquê!

“O povo não é besta, abaixo a revista Veja!”

veja

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