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Este blog não tem grandes pretensões! É apenas o meu espaço para dizer o que penso, sem que ninguém me interrompa antes que eu conclua minhas idéias. ...risos... Seja bem-vindo!
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quinta-feira, 20 de junho de 2013

Os Vândalos do Rio de Janeiro


Mensagem de Liv Oliveira no Facebook "Fazia muito tempo que não me envolvia em protestos, me lembro que em minha adolescência o único movimento político que me pareceu coerente de todo era aquele que lutava pelo passe livre, que na época tinha risco de ser perdido. Um direito do estudante que deveria mesmo ser ampliado, estendido aos universitários. Na passeata antiga de que me lembro, entramos em confronto com a polícia, que começou ...como sempre começa, a coibir violentamente os manifestantes. Quando se fala de violência há de se compreender o direito de resposta do que é vítima, como somos nós vítimas do estado, reféns de uma polícia corrupta e atroz. Passou por mim nesse tempo, enquanto eu corria de uma bomba de gás lacrimogêneo, e era uma menina de dezesseis anos, um homem que disse ao telefone pra alguém “ aqui no centro tem um monte de marginais vestidos de estudantes”.
Eu fiquei boquiaberta na época e ainda hoje fico quando alguém condena uma pessoa que luta pelos próprios direitos indo à uma passeata, protestando. Uso com frequência o argumento de que numa primavera árabe, como chamaram, a revolta da população é considerada válida, enquanto aqui a revolta é considerada crime, reagir ao estado, à polícia, é o mínimo que podemos e devemos, ainda que eles tenham táticas e nós não, devemos resistir, o mais pacificamente quanto o possível, mas promovendo transtornos sim, porque um protesto que não incomoda é um protesto sem voz.
E pra citar Hélio Oiticica, com seu “seja marginal, seja herói” devo dizer, que ser chamada de marginal não é hoje pra mim uma ofensa, e sim um elogio. Já que o refugo da sociedade, o que ela regeita como regeitou-me em algumas circunstâncias, talvez seja o que há de mais válido nela, o que há de combatente, de vivo, de possivelmente revolucionário. Talvez seja apenas um espelho do qual não se gosta, um espelho que retrata a verdadeira face, o que me lembra inevitavelmente Dorian Gray.
Quando se fala dos “poucos vândalos” para uma multidão de pacíficos, devemos pensar se não estamos fazendo uma revolução que a mídia acata facilmente. Já que a mídia frequentemente manipula nossa opinião, e nos sonega informações que tem, se isso não é perigoso, se isso não vai fazer com que coloquemos no poder um governante de direita. Ao invés de uma política minimamente válida, comprometida com respeito por nosso direitos, e não com um deputado como o Feliciano na comissão de direitos humanos, que é algo de uma ironia transcendental. Se não estamos fazendo uma revolução de que a mídia vai se utilizar negativamente. É aí que reside todo perigo. Acho por exemplo que se um deputado ganhasse como um professor a política não seria o que é, mas são eles quem votam os próprios salários, enquanto nós somos quem devia decidir isso.
Me filio mais a um pensamento de viés algo anarquista, algo comunista, porém não gosto de ismos e acabo por definir-me apartidária e independente. Tenho, como temos todos, uma cabeça própria, influenciável é verdade, mas no geral desvinculada de uma lógica de manada até quando me for possível evitar. e sei quanto de utópico e ideal há nisso. Por isso nenhum estado jamais me representará, a presidente Dilma não me representa mesmo que eu tenha votado nela por considerar que dentre as opções viáveis era a menos pior.
Aqui no rio, o que tem sido feito é uma elitização progressiva da cidade, os moradores das favelas estão deixando de ser pobres e a elite está tomando o lugar, a cidade está mudando o caráter miscigenado que sempre teve e que garantia certa horizontalidade nos espaços comuns. O custo de vida está aumentando e o aumento da passagem é só a gota d'água de tudo isso, o que faltava para coroar um quadro mais que absurdo. Vive-se num estado de vigília constante, uma ratoeira da qual não conseguimos nos desvencilhar por mais que tentemos com afinco, porque há sempre uma e outra pedra no caminho, pra citar Drummont.
A polícia é violenta e cruel, aqui. O estado é violento e cruel, aqui. E o cidadão é que está a mercê dele, e não o contrário, mas somos muitos, ainda que nesse coro de tantas vozes se sobressaiam algumas poucas, e sempre tenhamos a impressão de que estamos sendo enganados, manipulados, e massacrados pela mídia, polícia, estado, e pela multidão que vai as ruas linchar, pois não há nada mais covarde que um linchamento, seja ele afetivo ou físico.
Na manifestação que fui nessa segunda-feira, foram presas pessoas que não tinham absolutamente nada de vândalos, uma menina foi presa por portar um objeto que ela encontrou na rua mas no momento do confronto foi fruto de um saque a uma loja de malas, pelo que entendi. Como podem fazer os governantes para tirar um e outro como exemplo pra massa e pra que pareça que não valha a pena resistir, e lutar pelos direitos que todos temos. Ela foi presa injustamente e injustamente condenada a ficar sem fiança, os outros foram liberados segundo fiança, a minha foi de dois mil reais, para responder em liberdade como quadrilha. Eram pessoas que nunca haviam se visto antes. Um estado em que aqueles que o combatem são passiveis de serem tidos como terroristas é ditatorial.
Não concordo com uma lógica nacionalista que se perpetua, acho que somos todos cidadãos do mundo antes de pertencermos a este ou àquele país. O que vi na passeata que fui, foi uma multidão de muitas vozes distintas, xingavam a todos os governantes. Mesmo a mim, que não governo nada, xingavam também, uma multidão pode ser positiva ou negativa, as vezes ambas as coisas, simultaneamente.
Compreendo uma vivacidade derivada da violência, uma violência que se desvele poeticamente, embora não apoie a depredação de prédios históricos ainda que segundo meu senso estético ( como artista plástica e poeta que sou ) eles fiquem mais interessantes assim. Acho que barricadas que atrapalhem o acesso da polícia aos manifestantes podem vir a funcionar muito bem. Embora também não tenha participado de nenhuma construção de barricadas no protesto, fui apenas vê-las.
Protestei pacificamente, mas não passivamente, sim como uma performance reativa, injustamente fui presa, e agora meu advogado me aconselha a não estar com os meus, na passeata, onde o efetivo de polícia aumentou muito. Meu rosto estampado nos jornais impede que eu saia ilesa, devido ao histórico psiquiátrico que tenho, possivelmente pararia em um manicômio judicial. Peço a todos que puderem ir, que vão, e combato daqui, com as armas que tiver ao alcance, o que for possível.
A multidão que estava na Rio Branco eram muitas vozes distintas, já a que foi à Alerj me deu a impressão de ser uma voz mais unívoca, embora saibamos que há sempre infiltrados. Por exemplo com uma bomba precisei de vinagre, me deram primeiro wisky, depois vinagre, e leite de magnésia. Em uma outra hora em que recebi spray de pimenta no rosto, logo após aquela foto, me deram tiner para passar no rosto, o que singifica que é muito difícil nessas situações, saber quem é o inimigo. A polícia me tacou pedras e atirou o que não tenho certeza se foi uma bala de borracha ou um tiro de raspão, além do spray de pimenta. Então, sei que inimigos são muitos, mas eles são os piores em minha relação e minha performance no ato.
A polícia me agrediu como agride a todos os manifestantes, nesse tipo passeata, como sempre foi feito, hoje fui ao IML, fazer um exame de corpo delito para que eu possa me defender e que meu processo seja arquivado. Na delegacia uma espécie de tortura psicológica foi o que me aconteceu, pra sair de lá assinei papéis que não sei em exato o que foram, e agora espero para ver no que vai dar. Espero que isso se torne maior do que qualquer indivíduo, que seja a micro política invadindo a macro, agora que por bem, devo dizer o que penso."

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A Indisciplina na Sala de Aula


É fato que respeitamos a quem admiramos, mais do que a quem amamos ou tememos. Imagine então nossas atitudes frente a quem não admiramos, não amamos e que não pode nos castigar? Esbravejar, medir forças, querer mostrar quem manda em sala de aula só serve para despertar no jovem o desejo de disputar com o professor a liderança da turma. Seja porque foi muito mimado ou porque sofreu muitas agressões e nunca teve atenção nenhuma, esse aluno só quer uma coisa: ser o centro das atenções. Ele precisa ser compreendido, mais do que ser repreendido. O aluno, ao sair de casa, independente de sua classe social, deixa o videogame, o computador, a TV e tantas outras coisas atraentes para se sentar frente a um professor, olhar para um quadro e escutar assuntos que, muitas vezes, não lhe são nem um pouco significativos. Quer tortura maior que essa? A escola de hoje enfrenta uma luta desigual com a tecnologia. E, como se isso já não fosse o suficiente, perdeu um apoio de peso na educação: a família do aluno. O trabalho na sala de aula agora é bem maior do que outrora, mas a essência do professor é a mesma. Os mestres que mais admiramos e respeitamos em nossas vidas não foram os medíocres. Também no futuro assim o será. Eu, por exemplo, sempre começo minhas aulas com um bom papo sobre algum assunto que esteja na mídia e faça parte do universo do aluno. Procuro atividades dinâmicas, lúdicas, que sejam interessantes para um jovem na faixa etária na qual esteja trabalhando. Faço com que tenham vontade de me ouvir, de estar em minha companhia. Conquisto a confiança e a admiração deles primeiro; depois vem o respeito e, consequentemente, a atenção no que tenho a ensinar. Gosto de conversar com eles, rir com eles, brincar com eles; enfim, estar com eles. E como os jovens costumam dar em dobro tudo que recebem, acredito ser esse o segredo. Respeito não pode ser imposto, tem que ser conquistado.

Esta foi a opinião que dei sobre o tema à Revista da Educação Publica. A matéria foi publicada na revista junto com as considerações de vários outros professores. Para ler a matéria completa clique no link abaixo.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Manifestação Italiana em Defesa dos Animais



No último sábado, dia 28 de abril de 2012, milhares de italianos saíram às ruas para protestarem contra um criadouro multinacional que "fabrica" animais para testes em laboratórios ao redor do mundo. A empresa se chama Green Hill e fica na comunidade de Montichiari, na região da Lombardia.  Falam e algo em torno de 1000 pessoas, mas assistindo ao vídeo da passeata no Youtube se percebe que o número é muito superior a isso. A multidão caminhou pelas ruas, em direção à empresa, sendo acompanhada de perto pela polícia. Ao subirem a colina e chegarem à cerca da Green Hill, os manifestantes invadiram a propriedade, libertando diversos cãezinhos. Estes eram passados de mão em mão até cruzarem as cercas  em direção à liberdade. Cerca de 40 cães foram salvos, mas estima-se que haja mais de 2000 lá dentro. Sem dúvida, o que as autoridades definem como invasão e roubo, para milhões de pessoas em todo o mundo foi um dos mais nobres gestos em defesa dos animais. Apesar de 12 pessoas terem sido presas - já existem centenas de advogados oferecendo-se para ajudá-las de graça- os jornais italianos no dia seguinte ao ocorrido já falavam na possibilidade de se rever as atividades envolvendo a vivissecção de animais na Itália.

A vivissecção é a dissecação de animais vivos para estudos. No seu sentido mais genérico, define-se como uma intervenção invasiva num organismo vivo, com motivações científico-pedagógicas.
Esta técnica é utilizada em experimentação animal, apesar de ter vindo a ser, gradualmente, substituída por técnicas alternativas não-invasivas. Leis estão também a ser editadas a fim de que sejam preservados os direitos animais proclamados em assembléia da UNESCO, em Bruxelas, no dia 27 de janeiro de 1978. Os laboratórios devem adequar seus testes sob rígidos códigos de bioética para manterem-se aptos ao uso de animais vivos em seus estudos que buscam a descoberta e compreensão dos mecanismos de funcionamento dos organismos vivos e também encontrar a cura de muitas enfermidades que assolam a humanidade. Em Portugal, esta técnica é regulamentada, juntamente com outros métodos de experimentação animal, pela Portaria nº 1005/92 de 23 de Outubro, versada sobre a protecção dos animais utilizados para fins experimentais ou outros fins científicos.Esta legislação prevê que a experimentação em animais deve ser executada exclusivamente por pessoas competentes e em animais devidamente anestesiados.
Já no Brasil encontra-se em discussão um código de leis que regulamentariam o uso de animais em experiências científicas. Os maus-tratos gratuitos a animais são crimes ambientais. No Rio de Janeiro, o vereador Cláudio Cavalcanti criou uma lei que proíbe a vivissecção em todo o município. A lei foi sancionada pelo prefeito César Maia.

O lindo gesto desta comunidade italiana nos serve como exemplo da força que tem o povo quando decidem lutar juntos por uma causa. E já que a causa aqui é o sofrimento de muitos animais para atender às necessidades humanas,  é imperativo que nso quetionemos sobre o quanto realmente nos importamos. Muitos destes animais estão ali para que possamos passar um batom bonito, usar um xampu de qualidade, enfim, para sustentar nossa vaidade.  Nos emocionamos com estas cenas, mas no dia seguinte contribuímos para que tais absurdos se perpetue.  A algum tempo atrás alguns órgãos de defesa dos animais começaram a pressionar a Natura, que até 2003 realizava testes em animais e se dizia uma empresa que se preocupava com a naturesa - como se animais não pertencesse à natureza - e incentivaram as pessoas a boicotarem a empresa. Eu fui uma das que deixaram de comprar produtos da Natura. Não sei se foi a pressão, se ela perdeu espaço no mercado, ou se apenas se conscientizou, mas o fato é que deixou de realizar testes em animais. Eu não reparei nenhuma diferença na qualidade dos seus produtos por isso. E você?

Talvez você pense, como eu pensava, que estes testes em animais seja um mal necessário, mas existem alternativas e muitas empresas do ramo de cosmetologia já as usa, inclusive a Natura. Vale a pena manter-se informada sobre estas empresas e boicotar aquelas que não respeitam os animais. Todos juntos, assim como a comunidade italiana, podemos contribuir para um mundo mais decente e humano.

Alguns vídeos e sites que falam sobre o assunto para você ficar mais informado e juntar-se às pessoas que lutam pelo direito de todas as criaturas da terra:

Beagles de uma indústria de cosmético que  faliu na Espanha, vendo o sol pela primeira vez - http://youtu.be/XpSQ1g84Bb0
Teste em Animais – O sofrimento é real - http://youtu.be/Ki5iEO2V854
Vídeos da Manifestação na Itália:
Clique AQUI para ver a lista de Empresas Nacionais e Internacionais que não testam seus produtos em Animais.

sábado, 28 de abril de 2012

Dia da Educação - 28 de Abril - Educação para Todos








O Dia da Educação foi uma feliz coincidência para a minha volta ao Professora Maluquinha. A falta de tempo me afastou do blog, mas não da minha paixão pela educação e por isso é um prazer estar de volta nesta data tão significativa!

O 28 de abril foi escolhido  como o Dia da Educação, por ocasião da Cúpula Mundial de Educação realizada de 26 a 28 de abril de 2000,  em Dakar, Senegal. O marco da ação de Dakar foi o compromisso assumido de se atingir as metas que garantiriam  Educação Para Todos (EPT) os cidadãos em todas as sociedades. Infelizmente, apesar dos avanços, estas metas estão muito longe de serem alcançadas. Segue abaixo alguns trechos do documento:




1. Reunidos em Dakar em Abril de 2000, nós, participantes da Cúpula Mundial de Educação,
nos comprometemos a alcançar os objetivos e as metas de Educação Para Todos (EPT) para
cada cidadão e cada sociedade.
2. O Marco de Ação de Dakar é um compromisso coletivo para a ação. Os governos têm a
obrigação de assegurar que os objetivos e as metas de EPT sejam alcançados e mantidos. Essa
responsabilidade será atingida de forma mais eficaz através de amplas parcerias no âmbito de
cada país, apoiada pela cooperação com agências e instituições regionais e internacionais.
3. Nós reafirmamos a visão da Declaração Mundial de Educação Para Todos (Jomtien, 1990),
apoiada pela Declaração Universal de Direitos Humanos e pela Convenção sobre os Direitos
da Criança, de que toda criança, jovem e adulto têm o direito humano de se beneficiar de uma
educação que satisfaça suas necessidades básicas de aprendizagem, no melhor e mais pleno
sentido do termo, e que inclua aprender a aprender, a fazer, a conviver e a ser. É uma
educação que se destina a captar os talentos e potencial de cada pessoa e desenvolver a
personalidade dos educandos para que possam melhorar suas vidas e transformar suas
sociedades.
4. Acolhemos os compromissos pela educação básica feitos pela comunidade internacional ao
longo dos anos 90, especialmente na Cúpula Mundial pelas Crianças (1990), na Conferência
do Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992), na Conferência Mundial de Direitos Humanos
(1993), na Conferência Mundial sobre Necessidades Especiais da Educação: Acesso e
Qualidade (1994), na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Social (1995), na Quarta
Conferência Mundial da Mulher (1995), no Encontro Intermediário do Fórum Consultivo
Internacional de Educação para Todos (1996), na Conferência Internacional de Educação de
Adultos (1997) e na Conferência Internacional sobre o Trabalho Infantil (1997). O desafio,
agora, é cumprir os compromissos firmados.
5. A Avaliação de EPT 2000 demonstra que houve progresso significativo em muitos países.
Mas é inaceitável que no ano 2000, mais de 113 milhões de crianças continuem sem acesso ao
ensino primário, que 880 milhões de adultos sejam analfabetos, que a discriminação de gênero
continue a permear os sistemas educacionais e que a qualidade da aprendizagem e da
aquisição de valores e habilidades humanas estejam longe das aspirações e necessidades de
indivíduos e sociedades. Jovens e adultos não têm acesso às habilidades e conhecimentos
necessários para um emprego proveitoso e para participarem plenamente em suas sociedades.
Sem um progresso acelerado na direção de uma educação para todos, as metas nacionais e
internacionais acordadas para a redução da pobreza não serão alcançadas e serão ampliadas as
desigualdades entre nações e dentro das sociedades.
6. A educação enquanto um direito humano fundamental é a chave para um desenvolvimento
sustentável, assim como para assegurar a paz e a estabilidade dentro e entre países e, portanto,
um meio indispensável para alcançar a participação efetiva nas sociedades e economias do
século XXI. Não se pode mais postergar esforços para atingir as metas de EPT. As
necessidades básicas da aprendizagem podem e devem ser alcançadas com urgência.
7. Nós nos comprometemos a atingir os seguintes objetivos:
i. expandir e melhorar o cuidado e a educação da criança pequena, especialmente para as
crianças mais vulneráveis e em maior desvantagem;
ii. assegurar que todas as crianças, com ênfase especial nas meninas e crianças em
circunstâncias difíceis, tenham acesso à educação primária, obrigatória, gratuita e de boa
qualidade até o ano 2015;
iii. assegurar que as necessidades de aprendizagem de todos os jovens e adultos sejam
atendidas pelo acesso eqüitativo à aprendizagem apropriada, à habilidades para a vida e
à programas de formação para a cidadania;
iv. alcançar uma melhoria de 50% nos níveis de alfabetização de adultos até 2015,
especialmente para as mulheres, e acesso eqüitativo à educação básica e continuada para
todos os adultos;
v. eliminar disparidades de gênero na educação primária e secundária até 2005 e alcançar a
igualdade de gênero na educação até 2015, com enfoque na garantia ao acesso e o
desempenho pleno e eqüitativo de meninas na educação básica de boa qualidade;
vi. melhorar todos os aspectos da qualidade da educação e assegurar excelência para todos,
de forma a garantir a todos resultados reconhecidos e mensuráveis, especialmente na
alfabetização, matemática e habilidades essenciais à vida.
8. Para atingir esses objetivos, nós, os governos, organizações, agências, grupos e associações
representadas na Cúpula Mundial de Educação, nos comprometemos a:
i. mobilizar uma forte vontade política nacional e internacional em prol da Educação para
Todos, desenvolver planos de ação nacionais e incrementar de forma significativa os
investimentos em educação básica;
ii. promover políticas de Educação para Todos dentro de marco setorial integrado e
sustentável, claramente articulado com a eliminação da pobreza e com estratégias de
desenvolvimento;
iii. assegurar o engajamento e a participação da sociedade civil na formulação,
implementação e monitoramento de estratégias para o desenvolvimento da educação;
iv. desenvolver sistemas de administração e de gestão educacional que sejam participativos
e capazes de dar resposta e de prestar contas;
v. satisfazer as necessidades de sistemas educacionais afetados por situações de conflito e
instabilidade e conduzir os programas educacionais de forma a promover compreensão
mútua, paz e tolerância, e que ajudem a prevenir a violência e os conflitos;
vi. implementar estratégias integradas para promover a eqüidade de gênero na educação,
que reconheçam a necessidade de mudar atitudes, valores e práticas;
vii. implementar urgentemente programas e ações educacionais para combater a pandemia
HIV/AIDS;
viii. criar ambientes seguros, saudáveis, inclusivos e eqüitativamente supridos, que conduzam
à excelência na aprendizagem e níveis de desempenho claramente definidos para todos;
ix. melhorar o status, a auto-estima e o profissionalismo dos professores;
x. angariar novas tecnologias de informação e comunicação para apoiar o esforço em
alcançar as metas EPT;
xi. monitorar sistematicamente o progresso no alcance dos objetivos e estratégias de EPT
nos âmbitos internacional, regional e nacional;
xii. fortalecer os mecanismos existentes para acelerar o progresso para alcançar Educação
para Todos....


10. Vontade política e uma liderança nacional mais forte são necessárias à implementação
efetiva e bem sucedida dos planos nacionais em cada um dos países...

Fortalecer os mecanismos existentes para acelerar o progresso da Educação para Todos.
14. A implementação dos objetivos e estratégias previamente descritas vai requerer a
dinamização imediata de mecanismos nacionais, regionais e internacionais. Para que sejam
mais efetivos, estes mecanismos serão participativos e, onde for possível, irão fortalecer o que
já existe. Incluirão representantes de todos os participantes e parceiros e irão operar de forma
transparente e responsável. Responderão de forma compreensiva à palavra, ao espírito da
Declaração de Jomtien e a este Marco de Ação de Dakar. As funções desses mecanismos
incluirão, em níveis variados, defesa de direitos, mobilização de recursos, monitoramento e
geração e disseminação de conhecimentos sobre Educação para Todos.
O cerne da atividade de Educação para Todos está no âmbito dos países. Fóruns nacionais de
Educação para Todos serão fortalecidos ou estabelecidos para apoiar os resultados a serem
alcançados. Todos os ministérios relevantes e as organizações nacionais da sociedade civil
serão sistematicamente representadas nestes Fóruns. Estes devem ser transparentes e
democráticos e devem constituir um marco de implementação no âmbito sub-nacional. Os
países devem preparar Planos Nacionais de Educação para Todos até, no máximo, 2002. Para
aqueles países com desafios significativos, tais como crises complexas ou desastres naturais,
apoio técnico especial será providenciado pela comunidade internacional. Cada Plano
Nacional de Educação para Todos:
à
Será desenvolvido sob a liderança governamental, consultando diretamente e
sistematicamente a sociedade civil nacional;
à
Atrairá apoio coordenado de todos os parceiros de desenvolvimento;
à
Especificará reformas referentes aos seis objetivos de Educação para Todos;
à
Estabelecerá um marco financeiro sustentável;
à
Será orientado para a ação e especificará prazos;
à
Incluirá indicadores de desempenho de médio prazo; e
à
Atingirá uma sinergia de todos os esforços de desenvolvimento humano, pela sua inclusão
no planejamento e no processo de implementação do marco de desenvolvimento nacional.
Onde estes processos e um plano confiável estiverem em andamento, membros parceiros da
comunidade internacional se comprometem a trabalhar de forma consistente, coordenada e
coerente... 
28 de abril de 2000.
Dakar, Senegal
Leia o documento completo AQUI


O economista Paulo Renato de Souza, que foi Ministro da Educação no governo FHC de 1995 a 2002, não considerou importante sua participação na cúpula e enviou um representante em seu lugar. Cento e oitenta países assinaram o documento, inclusive o Brasil. Passados esses 12 anos podemos comemorar alguns expressivos avanços, mas é certo que ainda estamos longe de honrar o acordo, que apesar de ter sido assinado pelo governo, é de responsabilidade de todos nós.


Educação é o conjunto de técnicas e conhecimentos necessários para a transmissão do saber e dos valores essenciais à sociedade, razão pela qual não pode ser atribuição apenas da escola. Todo o conhecimento do mundo é transmitido através do processo educacional. De todos os animais, o ser humano é o único que não vive com base no seu próprio instinto. Ele precisa ser ensinado a mamar, andar, falar. Precisa dos seus pais para se desenvolver, para aprender a viver em sociedade. Aos professores cabem complementar este trabalho, desenvolvendo no homem as habilidades necessárias a um conhecimento mais elaborado, que estimule a análise crítica dos acontecimentos e o raciocínio lógico, favorecendo a formação de um cidadão mais preparado e qualificado para atender às demandas sociais cada vez mais exigentes e excludentes.


Uma Educação de qualidade e para todos, só é possível com a participação de toda a sociedade!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Quando a Sociedade é o Espaço do Inferno

 

Gostaria de expressar minha opinião com relação à matéria intitulada “Quando a Escola é o espaço do inferno”, publicada na revista Época, em 18/7/2011.

escola inferno

 

Concordo que a política de “mediação” seja a melhor forma de prevenir os “conflitos escolares”. A questão é quando se minimiza um “conflito social” complexo, que exige tratamento em conjunto com todas as esferas envolvidas – políticas públicas, econômicas e sociais - a simples “conflitos escolares”. Este foi exatamente o erro dos britânicos. Com uma escola pública idealizada pelo mestre Paulo Freire e tão argumentada pelo senador Cristóvão Buarque, a Grã Bretanha, ainda que com uma educação tecnológica de primeiro mundo, enfrenta “conflitos escolares” de terceiro mundo, ou mais apropriadamente, de “mundo moderno”. Por mais preparada que seja uma escola, ela é incapaz de assumir sozinha a responsabilidade pela formação integral do indivíduo. A primazia na educação cabe à família, isto é fato. É através da união desta, com a escola, que se garante uma formação voltada para os valores sociais imprescindíveis à formação da pessoa humana. A escola erra quando não reconhece sua responsabilidade e igualmente erra a sociedade ao acreditar nos “superpoderes” dos professores. Seja para conter a violência em sala de aula; seja para transformar uma realidade social economicamente injusta e historicamente excludente, o professor não possui “superpoderes”, e nem os almeja. A escola é reflexo da sociedade, e não o contrário. Quando a escola se transforma no espaço do inferno, é porque a muito se esqueceram de “exorcizar os demônios” da sociedade.

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