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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Prova de Matemática Faz Professor Parar na Delegacia

Um professor de matemática da  Escola Estadual João Octávio dos Santos, em Santos, litoral de São Paulo, levou a sério a recomendação de aproximar os conteúdos à realidade do aluno. Ao elaborar sua prova para uma turma de 1º ano do ensino médio, investiu em temas que considerava significativos no cotidiano dos seus alunos e pensando estar inovando sua prática, conseguiu apenas renovar seus problemas.
Entre as questões com enunciados polêmicos, encontramos uma que perguntava quantos carros teriam de ser roubados por um indivíduo para ele receber R$ 2 mil, já que para cada veículo o pagamento era de R$ 500,00. – Nossa! É isso que ganha o cara que rouba um carro? Dá próxima vez vou oferecer R$ 1000,00 para o cara não levar meu carro! -  Em outra questão se falava de um bandido chamado Pipoco que estava preso por um assassinato, pelo qual recebeu R$ 5 mil, e que tinha uma esposa – muito econômica por sinal – que gastava  R$ 75 por mês. Os alunos deveriam calcular qual o valor que restaria para Pipoco, quando saísse da prisão depois de quatro anos. – Ouso dizer que Pipoco saíria com mais dinheiro do que entrou, vendendo drogas, cigarros e chip de celulares, levados por sua esposa em suas visitas íntimas. O infeliz professor ainda sugeriu a resolução de um problema onde, detalhando uma mistura de cocaína com bicarbonato para que traficantes tivessem lucros mais significativos, os alunos calculassem o  percentual da droga pura na receita.
Pois bem, tanta inovação na  prática de ensino, custou ao inocente e despreparado professor...
 seu afastamento da sala de aula pela Secretaria Estadual de Educação sob suspeita de fazer apologia ao crime. Uma de suas alunas, não fez o exame e o levou para casa, deixando sua mãe tão horrorizada com as questões abordadas, que a “prova” da aluna virou prova contra o professor na delegacia. Só não entendi porque a aluna não fez sua prova e a entregou ao professor, para só depois de tê-la de volta a suas mãos, devidamente corrigida, mostrá-la aos seus pais? Será que ela achou que o professor iria destruir todas as provas depois de corrigidas? Ou será que a menina ficou tão chocada com as questões que sequer conseguiu realizar a prova? Em qualquer uma das situações, é muito triste ver o que a falta de diálogo pode ocasionar em uma sala de aula!
Trecho de prova onde são abordadas questões como prostituição, tráfico e roubo de veículos - Reprodução TV Globo
(Pipoco deve estar dando gargalhadas no presídio e achando o professor “um tremendo otário”!)
O professor Lívio em uma entrevista a um jornal local, disse ter sido mal interpretado e ainda, que explicou aos pais da aluna o motivo da aplicação do teste, inclusive pedindo desculpas. Mas segundo a matéria do jornal, o professor não justificou a razão de optar por tais questões. Eu não entendi a quem ele  não justificou? Porque se ele se explicou, evidentemente se justificou, não é? Talvez não tenha se justificado para o jornal. Mas tudo bem, não é ao jornal que ele tem que dar satisfação, e sim aos pais e, infelizmente neste caso, à polícia.
Trabalhei no ano passado em uma classe do Programa de Correção do Fluxo Escolar, elaborado pelo Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação ( GEEMPA), que trás em seu material de apoio, um livro da Dra. Esther Pillar Grossi, Coordenadora geral do Programa, que trabalha, na alfabetização,  palavras como: MACONHA, COCAÍNA, POLICIAL, LOLÓ, PEDRA, BEBIDA, CIGARRO, CAMBURÃO, entre outras. Todas escritas em letras maiúsculas e fazendo parte do glossário alfabetizador. As palavras  faziam parte do contexto da história do personagem principal, Dinomir, cujo irmão envolveu-se com drogas. Prevendo a polêmica que trabalhar com tais palavras em uma classe de alfabetização poderia causar, tratei de apresentar aos pais o livro e explicar o porquê das palavras serem empregadas em sala de aula. Afinal, sendo educação um ato político e social, um educador não pode negar-se a envolver seus alunos em temas polêmicos. Bem, graças a Deus e às minhas explicações, nenhum pai de aluno me acusou de apologia ao crime! E nem à Dra. Esther Pillar!
É  evidente que pais não estão preparados para entender certas práticas de ensino modernas. Não estão preparados sequer para entender práticas de ensino tradicionais. Não são especialistas em educação. Assim como nada entendo de saúde, leis,  mecânica, muitos não entendem a minha área: a pedagogia. Mas assim como o mecãnico precisa me fazer entender os procedimentos que serão adotados no conserto do meu carro, o médico na manutenção da minha saúde e o advogado quanto aos meus direitos e deveres legais, sou obrigada a manter alunos e responsáveis informados sobre os procedimentos docentes em sala de aula. Muita coisa seria evitada se o professor, no início do ano, se apresentasse aos responsáveis e explicasse os projetos, métodos e práticas educacionais que seriam adotadas no decorrer do ano letivo.
Este professor, que considera sua carreira encerrada devido a exposição na mídia, pode até ter pecado no excesso de inovação, principalmente na elaboração do enunciado das questões, mas acusá-lo de fazer apologia ao crime é um excesso muito maior e muito injusto! Chego a duvidar que o delegado concorde com isso. Mas como a função do delegado não é julgar e sim investigar, talvez o imcomprendido professor tenha questões muito mais relevantes para solucionar  que as “inocentes provocações” que colocou em sua prova.
- Pois bem professor, que lhe sirva de lição! Não invente, nem tente fazer diferente, volte às velhas e menos polêmicas questões do “Joãozinho e suas laranjas”! Deixe que assuntos como drogas, prostituição, crime organizado, ou nem tão organizado assim, sejam tratados pelo professor de sociologia, filosofia, ou qualquer outra área das humanas. Esqueça esta história de “temas transversais”, ou que a matemática precisa se modernizar ! Evite assuntos polêmicos se não está pronto para trabalhar com eles. Deixe que estes assuntos sejam tratados pelos pais em casa, ou quem sabe, mais tarde, pela própria polícia. O seu salário não compensa esta humilhação! O seu maior erro foi não perceber que entre suas múltiplas inteligências, a área da linguagem, seus códigos e suas tecnologias é a que possui o menor índice de proficiência. Se te serve de consolo, dizem que Einstein também era assim!
Fonte: http://oglobo.globo.com/cidades/mat/2011/02/19/sp-professor-de-matematica-afastado-sob-suspeita-de-fazer-apologia-ao-crime-em-prova-923843471.asp

5 comentários:

William disse...

"Não basta apenas ser professor, é preciso ser mestre na arte de ensinar."
Vanessa Clariza Pena

Ana Paula Ruggini Zarpelon disse...

Primeiramente quero dizer que gostei do seu cantinho, me tornei seguidora e voltarei mais vezes. Adoro comentar e, claro, receber comentários! (rs)

Mas, não posso concordar com você! Acho que realmente o professor exagerou! Não soube trabalhar, pelas vias corretas, estes temas polêmicos. As questões apresentadas, por acaso, eram um texto que serviria para debate? Acredito que não, e foi aí o seu grande erro. Acredito que ele estava tão "p..." com o sistema, derepente alguém o cobrava para inovar, entrar na realidade do aluno e ele agiu dessa maneira. Ele sabia a besteira que estava fazendo!!
Sabe qual o problema? É mais difícil pegar uma notícia e discutir todos estes temas que ele apresentou nas questões, pois ele deve ter a antiga crença que texto é para ser trabalhado em Português. Então porque não apresentou um gráfico com os indíces de consumo de droga, assaltos, etc e fez a discussão? Sabe, colega, fico indignada com estas coisas, nossa classe já é tão criticada e não é necessário que alguém faça uma besteira desta para piorar as coisas. Na educação não podemos testar fórmulas e métodos e ver se vai dar certo, estamos lidando com crianças e adolescentes em plena formação de caráter e as consequências podem ser muito danosas.
Falta professores realmente comprometidos com a educação, aquele que perde final de semana (pois durante a semana não é possível) planejando aulas realmente produtivas, mas o que ouço é: "não sou paga para trabalhar fora do meu horário de escola!!" Ai, como isso me deixa exausta...

Mas acredito que as coisas podem melhorar, pois cada vez mais vejo pessoas, como eu e você, que doam seu tempo para ajudar o próximo através desta grande ferramenta que é a internet.

Abraços e boa semana!

Professora Maluquinha disse...

Olá Ana Paula! Primeiramente obrigada pelo carinho. Já estou te seguindo também. Concordo com tudo o que disse. Na verdade eu o defendi apenas no que diz respeito à acusação de apologia ao crime. Mas concordo que ele errou ao aplicar o exercício. Soube hoje que ele pretendia trabalhar o tema com os alunos, sim. Inclusive os alunos dele até fizeram uma passeata para ele voltar à escola. Você viu? Passou no Domingo Espetacular, na Record. Soube também que ele tem 54 anos. Ou seja, não é o jovem recém formado que eu pensava. Como sugeriu o amigo Willian acima, faltou ao professor Lívio a "arte de ensinar", ou na melhor das hipóteses, a arte de se comunicar. Deveria ter conversado com os alunos no mesmo dia das atividades para que não restasse dúvidas sobre qual era sua pretensão ao aplicar os exercícios. Mas acho que ele aprendeu sua lição, né?

Ana Paula Ruggini Zarpelon disse...

Menos mal! Mas ele deu uma grande mancada, hein?! Acredito que ele não vai esquecer tão cedo, mesmo contando com o carinho dos alunos. Também concordo que não foi apologia do crime, isso foi total exagero.

Valeu por seguir meu blo, se estiver afim de participar tem um promoção.

Abraços!

Anônimo disse...

Muitos professores,não conhecem a realidade em que vivemos na rede escolar e acha que seus alunos são crianças inocentes sem malícia e maldade.Muitos convivem com a violência ao seu redor e trazem este mal para as nossas escola,brigas,violência contra os alunos e também contra os professores.Por isso eu não critico este professor,com certeza estes problemas o qual ele comentou na prova faz parte da realidade de alguns destes alunos.

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