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sábado, 18 de setembro de 2010

Além do Cidadão Kane

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"Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista."
Paulo Henrique Amorim.
Além do Cidadão Kane , um documentário produzido pela BBC de Londres e proibido no Brasil desde a estréia, em 1993, por decisão judicial, deixa claro o perigo que é para uma democracia as relações sombrias entre uma  Rede de Televisão e o cenário político de um país.  Durante anos fomos manipulados através da criação de mitos questionáveis  e doses homeopáticas de alienação humana. Quem criou os verdadeiros analfabetos políticos não foi a escola, foi nossa imprensa, que sempre defendeu os interesses de uma elite dominante, pois desta forma, evidentemente, defendia seus próprios interesses. A escola, no entanto, contribuiu muito para este cenário, quer seja pela omissão, ou por também fazer uso deste “remedinho”, que chega ao nosso cerébro diariamente em diferentes horários do dia, e que por ser “homeopático” acredita-se não ter contra indicações. A proibição desse documentário só reforça a idéia de que a liberdade de imprensa aqui significa total liberdade de manipulação de informações a serviço de uma hegemonia que subtrai a liberdade de opinião e o direito à informação do telespectador, ou leitor, no caso das publicações impressas. Os cortes e manipulações efetuados na edição do último debate entre Luiz Inácio da Silva e Fernando Collor de Mello, que influenciaram a eleição de 1989 e o apoio a ditadura militar com censura a artistas, como Chico Buarque, que por anos foi proibido de ter seu nome divulgado na emissora de que trata o documentário, deixa claro nossa vulnerabilidade diante da poderosa mídia brasileira. Depoimentos de Leonel Brizola, Chico Buarque, Washington Olivetto, entre outros jornalistas, historiadores e estudiosos da sociedade brasileira, fazem deste documentário exibição obrigatória em nossas escolas. 
Como se pode falar em democracia, ou mesmo em liberdade de imprensa, se fui proibida de assistir a um documentário esclarecedor e questionador como este por quase 18 anos?
A boa notícia é que com a chegada da internet estes abusos estão com os dias contados. O acesso a este vídeo é um exemplo disso. Outra excelente notícia é que esta velha mídia, ao que parece, esta encerrando seu ciclo tão corrupto quanto os corruptos que denuncia, ou aqueles que defende ao negar-se a denunciá-los. A matéria de Luis Nassif, publicada na NovaE nos enche de esperança de finalmente conseguirmos construir um país verdadeiramente democrático, onde o povo seja absoluto em suas decisões, sem o risco de ver sabotados seus interesses e necessidades em favor de uma hegemonia que durante anos provou ser ambiciosa, arrogante, racista e excludente.
Segue um trecho da matéria de Luis Nassif:
“…Os episódios dos últimos dias me lembram a lavagem das escadarias do Senhor do Bonfim. Dejetos, lixo, figuras soturnas, almas penadas, todos sendo varridos pela água abundante e revitalizadora da marcha da história.
Dia após dia, mês após mês, quem tem sensibilidade analítica percebia movimentos tectônicos irresistíveis da história.
Primeiro, o desabrochar de uma nova sociedade de consumo de massas, a ascensão dos novos brasileiros ao mercado de consumo e ao mercado político, o Bolsa Família com seu cartão eletrônico, libertando os eleitores dos currais controlados por coronéis regionais.
Depois, a construção gradativa de uma nova sociedade civil, organizando-se em torno de conselhos municipais, estaduais, ONGs, pontos de cultura, associações, sindicatos, conselhos de secretários, pela periferia e pela Internet, sepultando o velho modelo autárquico de governar sem conversar.
Mesmo debaixo do tiroteio cerrado, a nova opinião pública florescia através da blogosfera.
Foi de extremo simbolismo o episódio com o deputado do interior do Rio Grande do Sul, integrante do baixo clero, que resolveu enfrentar a poderosa Rede Globo.
Durante dias, jornalistas vociferantes investiram contra UM deputado inexpressivo, para puni-lo pelo atrevimento de enfrentar os deuses do Olimpo. Matérias no Jornal Nacional, reportagens em O Globo, ataques pela CBN, parecia o exército dos Estados Unidos se valendo das mais poderosas armas de destruição contra um pequeno povoado perdido.
E o gauchão, dando de ombros: meus eleitores não ligam para essa imprensa. Nem me lembro do seu nome. Mas seu desprezo pela força da velha mídia, sem nenhuma presunção de heroísmo, de fazer história, ainda será reconhecido como o momento mais simbólico dessa nova era.
A Rede Record ganhou musculatura, a Bandeirantes nunca teve alinhamento automático com a Globo, a ex-Manchete parece querer erguer-se da irrelevância.
De jornal nacional, com tiragem e influência distribuídas por todos os estados, a Folha foi se tornando mais e mais um jornal paulista, assim como o Estadão. A influência da velha mídia se viu reduzida à rede Globo e à CBN. A Abril se debate, faz das tripas coração para esconder a queda de tiragem da Veja.
A blogosfera foi se organizando de maneira espontânea, para enfrentar a barreira de desinformação, fazendo o contraponto à velha mídia não apenas entre leitores bem informados como também junto à imprensa fora do eixo Rio-São Paulo. O fim do controle das verbas publicitárias pela grande mídia, gradativamente passou a revitalizar a mídia do interior. Em temas nacionais, deixou de existir seu alinhamento automático com a velha mídia.
Em breve, mudanças na Lei Geral das Comunicações abrirão espaço para novos grupos entrarem, impondo finalmente a modernização e o arejamento ao derradeiro setor anacrônico de um país que clama pela modernização…”
barrinhas01
Finalmente um país livre! Será?

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